Em solidariedade a professora Sueli Santana, vítima de apedrejamento dentro da Escola Rural Boa União, em Vila de Abrantes, educadores e sindicalistas marcaram presença na sessão ordinária desta quinta-feira (28/11), na Câmara de Vereadores de Camaçari, onde foi votada e provada uma Moção de Repúdio contra o caso. A professora Ana Carla Fagundes, que é lotada na mesma unidade educacional onde a violência aconteceu, ressaltou que é preciso um debate ampliado sobre o tema, que envolva todos os poderes, a escola e as famílias.
“Isso que aconteceu com Sueli nos afeta muito porque nós sabemos que esse não é o primeiro caso de racismo, desse tipo religioso, ocorrido na escola, e isso aponta para a necessidade de Camaçari fazer um debate mais ampliado sobre a educação antirracista, porque se a educação não for antirracista, ela não será uma educação inclusiva, que conta todas as histórias. E a educação antirracista se propõe contar aos nossos estudantes a história do Brasil sob o olhar de todos os povos, e não só do povo eurocêntrico, do povo branco, mas também do povo preto, indígenas e ciganos. O povo preto construiu a nossa história, e ela precisa ser passada em nossas escolas, sobre a cultura, fortalecimento da identidade, região, e tudo mais”, destacou.
A professora Ana Carla, defende que outras educadoras como Sueli, deem conta da aplicabilidade da Lei 10.639. “Isso é fomentar o currículo que Camaçari, a Bahia e o Brasil precisam, e sobretudo, diminuir a discriminação racial, e fazer um enfrentamento ao racismo. Racismo religioso é crime, e nós estamos aqui a várias mãos, unindo forças, para entender e criar caminhos para dirimir essa situação. Precisamos defender uma escola laica, pois ela é um lugar de transformação, é na escola que podemos pensar e construir um novo tempo, um novo mundo do trabalho, porque a educação que queremos não é a que está posta aí”, exaltou.
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