Entre no
nosso grupo!
WhatsApp
  RSS
  Whatsapp
Traduzir:

Camaçari

Professora apedrejada em Camaçari relata que a Seduc estava ciente dos acontecimentos e nada foi feito para evitar

Compartilhar com UTM
Link copiado! Agora você pode colar o link com UTM no seu Instagram.

O Portal entrevistou na manhã desta quinta-feira (28/11), com a professora da rede pública de Camaçari, Sueli Santana, que no dia 28 de outubro deste ano, foi apedrejada por três alunos dentro da Escola Rural Boa União, em Vila de Abrantes, após apresentar em sala de aula um conteúdo voltado para a cultura afro-brasileira. De acordo com a educadora, a direção da escola e a Secretaria de Educação (Seduc) do município, estavam cientes das recorrentes situações de intolerância religiosa que ela vinha sofrendo.

Segundo a professora Sueli, desde o início do ano letivo ela recebia “ataques de cunho religioso”, e que relatou a direção da unidade escolar. “Eu era chamada de bruxa, de feiticeira, satanás e macumbeira. E isso eram coisas que eu sempre falava à direção da escola, que tomava medidas de chamar os pais e conversar. E nessa conversa com os pais, as crianças retornavam para a escola e nenhuma medida maior era tomada. A partir de junho isso se intensificou, culminando no final do mês de outubro, quando eu comecei a trabalhar o livro que foi adotado pelo município, o ‘ABC do povo Afro-brasileiro’, e já na minha primeira leitura, algumas crianças saíram pelas minhas costas, fazendo cruzes, dizendo que 'estava repreendida em nome de Jesus'”, contou.

A educadora pontua que no mesmo dia que leu o livro, estava na sala corrigindo as atividades, quando três crianças a chamaram de bruxa e lançaram várias pedras em sua direção. “Uma pedra bateu do lado direito do meu pescoço, eu fui ao médico, tive que parar minhas atividades durante três dias e ao retornar, conversar com esses pais, um deles me disse que aquele conteúdo não era adequado para a sua filha, que ela não tinha contato com esse tipo de assunto, muito menos com esse tipo de pessoa, e ele exigia que aquele conteúdo fosse parado de ser lecionado na escola. A gestora da escola entrou em contato com a Secretaria de Educação, que me proibiu de continuar trabalhando o material, lembrando, é um material adquirido pela própria Seduc. E aí eu fui trabalhar com outros materiais, os pais retornaram à escola e exigiram que todas as vezes que eu fosse trabalhar educação afro-brasileira, que os filhos tivessem autorização de sair da sala de aula”, salientou.

Nesta semana, a professora Sueli se sentindo coagida e com medo, resolveu prestar queixa na delegacia, pelo fato também das crianças estarem sendo orientadas pelos pais, a levar os livros para casa e queimar. “Meu sentimento primeiro é de tristeza, e depois de abandono por parte da Secretaria de Educação do município. Primeiro que isso foi relatado durante todo o ano letivo, não foi algo pontual que aconteceu em um único momento, a intolerância aconteceu o ano inteiro dentro da escola. A Secretaria tinha noção disso e ainda me proibiu de trabalhar com um material adquirido por ela própria. Agora que estou falando sobre o caso, ainda me sinto abandonada pela Seduc, porque até o momento não decidiu minha vida, se vou tirar licença ou se vou ser afastada. Eu fui ameaçada pelos pais, fui proibida de entrar no meu ambiente de trabalho, e quando eu vou para a escola, eles já estão na porta, a minha integridade física está sendo ameaçada”, desabafou.

O Portal vai entrar em contato com a Seduc para obter um posicionamento da pasta.

Link de matéria relacionada:

https://www.portalabrantes.com.br/noticia/41688-caso-de-professora-apedrejada-em-escola-publica-de-camacari-e-noticiado-na-tv-bahia

Mais em Camaçari

Notificação de Nova Postagem
Imagem