A indicação de número 2019/2021, do vereador Dilson Magalhães Júnior (PSDB), sugerindo ao Executivo Municipal que doasse a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Camaçari (APAE), um novo terreno público para a construção da sede da instituição, foi motivo de divergência entre o autor da matéria e o colega de partido Gilvan Souza (PSDB). O debate entre os parlamentares aconteceu na 5º sessão ordinária desta terça-feira (24/08).
O texto da matéria em questão, pedia que uma área localizada em frente ao Estádio Municipal Fernando Ferreira Lopes, no bairro Verdes Horizontes, fosse doada para que a APAE construísse sua sede própria. A solicitação foi trazida ao vereador Dilson, pelo atual presidente da entidade, que atende em torno de 260 pessoas, senhor Marcondes.
O vereador Gilvan no entanto, trouxe a informação para o colega de bancada, que no ano de 2015 um terreno já tinha sido doado para a instituição, inclusive com documento registrado em cartório. “Só que nos tempos de hoje e conversando com o atual presidente da APAE Camaçari, o terreno outrora doado já foi ocupado, inclusive com um equipamento público, isso foi me passado e por isso hoje a gente faz esse novo pedido, só para esclarecer, para que isso não vire um cavalo de batalha, mas sim esforços para que realmente aconteça e que de fato esse terreno venha ser doado para que eles possam desempenhar o papel deles”, defendeu Dilson Magalhães.
O vereador Gilvan pediu a fala e disse que não é comum ele questionar nenhuma matéria de outro parlamentar, mas iria fazer por ter “a vida direcionada a defender a promoção dos direitos as pessoas com deficiência”. “São 10 anos de político e o que me impulsionou a estar aqui foi isso. Eu vivo, respiro, acordo, deito e me alimento com uma pessoa com deficiência. É muito provável que tudo que se apresentar nessa Casa a partir de agora eu já tenha pedido, mas não foi realizado, e o cenário político está aberto para todos. A controvérsia que eu coloco é que a APAE recebeu o terreno doado na época pelo governo do prefeito Ademar Delgado, fizemos grandes atos, e esse terreno tem escritura, está localizado na Avenida Luiz Gonzaga, no Phoc I, no trecho 10 do Programa de Revitalização e Urbanização da requalificação do Rio Camaçari. O terreno está disponível e os esforços que deveríamos unificar agora é a construção de um programa de incentivo econômico para que a gente tenha recurso para construir uma sede”, explicou.
Nos assuntos gerais o tema APAE voltou a ser pautado e o vereador Dilson tentou esclarecer que a indicação foi um pedido do presidente da instituição que apresentou um documento público que o dava poderes para falar em nome da associação. “Quando fiz a indicação em nome do presidente, em momento nenhum eu cometi alguma falha, algum desmerecimento a presidente anterior que também tem o seu registro e um legado belíssimo nessa associação ao lado do vereador Gilvan Souza, que todos em Camaçari sabem da sua luta, da sua conduta nesta causa que é nobre. Não vim a essa tribuna falar inverdades, apenas narrar o fato em questão da indicação, onde esse terreno doado em 2015 não virou realidade aos anseios da população, e estamos em 2021, e hoje a condição atual desse terreno não dá condições para que seja construída uma sede”, exaltou o edis deixando claro que em nenhum momento tentou puxar para ele a “bandeira da inclusão como foi dito”.
Logo em seguida Gilvan Souza discursou também e chegou a se exaltar ao falar da sua história com a APAE e sua relação com a causa, ressaltando que hoje tinha acontecido um grande equívoco e que o seu objetivo era esclarecer uma história de 2015. “As ideias e conceitos mudam e é natural, e a gente as vezes não consegue o consenso porque se torna particular essa conversa e não coletiva. Então de fato eu não tinha conhecimento da necessidade de locomoção de um terreno que já é escriturado em nome da APAE e que o caminho de viabilidade para se conseguir outra área não é pedindo doação de um novo terreno, é tratando diretamente com a Secretaria de Urbanismo”, disse o vereador que aumentou o tom da voz a pontuar que tem história na instituição e que nunca fez política lá dentro. “Não faço disputa por cadeirante, down ou altista, eu faço valer o direito dessas pessoas, e minha essência vem sendo pautada nisso há 18 anos [idade de seu filho com síndrome de down]. Eu sou diferente sim para discutir essa pauta, eu vivo, eu respiro, eu respeito. Eu faço isso com seriedade, eu não faço com disputa”.
A matéria foi aprovada por unanimidade.





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