Há dores que não fazem barulho. Elas habitam os quartos, atravessam os corredores das escolas, escondem-se atrás de um sorriso e, muitas vezes, permanecem invisíveis até que seja tarde demais. Acontecimentos vêm abalando famílias de Vila de Abrantes e de outras localidades de Camaçari precisam despertar em todos nós uma reflexão profunda. Não cabe expor nomes, histórias particulares ou circunstâncias. Cabe respeitar quem sofre e perguntar, como sociedade: estamos verdadeiramente ouvindo nossos jovens?
Quantas vezes uma mudança de comportamento é tratada apenas como rebeldia? Quantas vezes o silêncio de um adolescente passa despercebido? Quantas pessoas tentam falar, mas encontram julgamentos, cobranças ou respostas prontas, quando aquilo de que realmente necessitam é acolhimento? sofrimento emocional não possui uma única causa. Ele pode envolver relações familiares, ausência de vínculos afetivos, violência, abandono, dificuldades econômicas, preconceito, pressão escolar, conflitos sociais, traumas e problemas de saúde mental. São fatores complexos, históricos e sistêmicos. Por isso, não devemos procurar explicações simplistas ou culpados imediatos.
Precisamos aprender a perguntar: “Como você está de verdade?” E, principalmente, precisamos estar preparados para ouvir a resposta. Portal Abrantes propõe que o Município de Camaçari, por meio das áreas de Saúde, Educação e Assistência Social, lidere a formação de uma mesa permanente de cuidado e prevenção, com a participação de psicólogos, assistentes sociais, educadores, estudantes, famílias, conselhos, lideranças comunitárias, instituições religiosas e organizações da sociedade civil.
Essa mobilização não pode acontecer somente durante uma campanha ou em um mês específico do ano. É necessário promover rodas de conversa frequentes nas escolas e nos cantos e recantos da cidade; preparar professores e demais profissionais para reconhecer sinais de sofrimento; orientar pais e responsáveis; divulgar os serviços existentes; e garantir acompanhamento contínuo para pessoas e famílias afetadas.
Também é fundamental cuidar daqueles que permanecem depois de uma perda. Familiares, amigos, colegas e profissionais da escola precisam de acolhimento especializado. O silêncio, o julgamento e a circulação de informações sem confirmação podem ampliar ainda mais uma dor que já é imensurável.
Não devemos esperar outra família ser atingida para começar a agir. sta não é uma responsabilidade exclusiva do Estado, da escola ou dos pais. É um compromisso de todos nós. O jovem precisa saber que existe alguém disposto a ouvi-lo, que pedir ajuda não é sinal de fraqueza e que nenhum sofrimento precisa ser enfrentado sozinho.
O Portal Abrantes abre este debate com respeito e responsabilidade. Mais do que noticiar uma dor, queremos contribuir para construir caminhos de cuidado, esperança e vida.
Precisamos falar. Precisamos escutar. Precisamos agir. Onde buscar ajuda...



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