A chama que simboliza a luta do povo baiano pela liberdade voltou a iluminar as ruas de Camaçari nesta terça-feira (30). Em mais uma edição da tradicional Passagem do Fogo Simbólico, o município reafirmou o compromisso com a preservação da memória histórica e da identidade cultural baiana, reunindo representantes do poder público, atletas, grupos culturais e a comunidade em uma celebração marcada pelo civismo, pela cultura e pelo sentimento de pertencimento.
Neste ano, a programação foi realizada com o tema “Terra da Diversidade e Resistência – Camaçari faz parte da Independência”, destacando a contribuição do município para a história da Independência do Brasil na Bahia e homenageando os homens e mulheres que lutaram pela consolidação da liberdade em território baiano.
No município, a programação teve início no limite entre Dias d’Ávila e Camaçari, na Via Frontal, onde a chama foi recebida e iniciou o tradicional percurso em revezamento por importantes vias da cidade. O trajeto passou pela Rodovia BA-512 e seguiu até a Praça Desembargador Montenegro, onde foi realizado o ato cívico acompanhado de apresentações culturais.
Entre os responsáveis pelo hasteamento das bandeiras cívicas, a vice-prefeita do município, Pastora Déa Santos, destacou a importância do momento por representar o reconhecimento da resistência do povo baiano e da participação de diferentes segmentos da sociedade na luta pela independência.
“Um momento que fala de nós, fala do povo baiano, da força, da ousadia, de homens e de mulheres que lutaram pela libertação. O Fogo Simbólico é a representação da resistência, da história, mostra que estamos resgatando o sentimento de pertencimento da nossa gente e da nossa cultura. Viva a Independência da Bahia, viva o povo de Camaçari”, exclamou.
Mais do que uma tradição que antecede as celebrações do 2 de Julho, em Camaçari, essa memória ganha ainda mais significado ao evidenciar a diversidade cultural que caracteriza o município e reforçar seu pertencimento ao território do Recôncavo Norte, região que integra a rota histórica das comemorações da Independência do Brasil na Bahia.
A titular da Secretaria da Cultura de Camaçari (Secult), Elci Freitas, enfatizou o ato como forma de manter viva a memória daqueles que lutaram pela liberdade. “Além disso, reafirma o compromisso das novas gerações com a preservação da nossa história. Neste ano, o tema traduz a essência do nosso município, formado pela diversidade de povos, culturas e saberes, marcado pela resistência de sua gente e pela força da sua identidade. Que essa chama simbólica continue iluminando o caminho da cidadania, da democracia, da valorização da nossa cultura e do orgulho de sermos baianos”, afirmou.
A programação cultural reuniu ao longo do dia diferentes expressões artísticas do município. Entre as atrações esteve a Charanga Caraípa, responsável pela execução dos hinos de Camaçari e da Bahia, além do Samba Chula Filhos de Oyò, da Dança Afro Raízes Ancestrais, do grupo de Capoeira Sementes do Mestre Coelho (SEMC) e da banda Pagode do Peu, promovendo um encontro entre música, dança e manifestações da cultura popular camaçariense.
O professor, historiador, pesquisador e escritor camaçariense Diego Copque pontuou sobre o reconhecimento da participação de Camaçari na história da independência. “A Independência do Brasil não se deu como a história oficial nos diz, no dia 7 de setembro, em São Paulo. Houve luta e derramamento de sangue, e o protagonismo do povo que lutou nesse processo é o protagonismo do povo do Recôncavo da Bahia, e do povo de Camaçari, de Lauro de Freitas, de Dias d'Ávila, de Mata de São João, Catu, Pojuca, Simões Filho, enfim, toda a região, mas com o protagonismo do Recôncavo Norte”, pontuou.
Ao destacar que Camaçari é um dos municípios mais antigos do Brasil, com 467 anos de fundação, o historiador fez uma saudação à data e à história da cidade. “Salve o 2 de Julho, salve Camaçari, salve a Bahia e, sobretudo, o caboclo Tupinambá Joaquim Eusébio de Santana, camaçariense nato e um dos protagonistas da luta pela Independência do Brasil na Bahia.”
Ao longo do percurso, corredores previamente inscritos conduziram a chama em sistema de revezamento, reforçando o caráter participativo da iniciativa e aproximando a população de uma das mais tradicionais celebrações cívicas do estado.
Morador do bairro Ponto Certo, o arte-educador Sandro Paixão, 50 anos, foi um dos responsáveis por conduzir o Fogo Simbólico, levando a tocha ao lado do filho João Francisco, 10 anos. “É o primeiro ano que eu corro e é uma emoção muito grande poder participar desse movimento, carregar a pira da Independência da Bahia e trazer para o meu filho esse sentimento de pertencimento e amor de sermos filho da terra e agentes culturais. É fundamental que as crianças e os jovens entendam a importância que Camaçari tem no processo da independência”, afirmou.
O evento também reuniu a população, que acompanhou o momento com entusiasmo. É o caso do professor Igor Oliveira, 41 anos, que fez questão de prestigiar o momento. “A Passagem do Fogo Simbólico, aqui em Camaçari, significa um momento especial de resgate da nossa identidade histórica cultural, com o povo negro, indígena e miscigenado, que cumpre um papel histórico na Bahia, que é garantir a Independência do Brasil, ser uma vanguarda de transformação no processo político do país e uma ruptura com as estruturas coloniais. Mas, no presente, o significado disso vai muito além. É fazer com que populares entendam que isso também tem um impacto de geração econômica, de aquecimento do turismo nos territórios como é no Recôncavo Baiano, levando ao povo a consciência do que ele próprio significa”, disse o morador da Gleba C.
Como parte da tradição, Camaçari também realizará a passagem oficial da chama para o município de Lauro de Freitas, que dará continuidade ao percurso do Fogo Simbólico rumo às celebrações do 2 de Julho na capital baiana.
A cerimônia é marcada ainda pela tradicional troca de gentilezas entre os municípios, simbolizando a união em torno da preservação da memória histórica. Neste ano, Camaçari presenteia as cidades vizinhas - Dias d’Ávila e Lauro de Freitas - com obras produzidas pelo artista Deo Senna, valorizando a produção cultural local e fortalecendo os laços entre os municípios que integram o roteiro do Fogo Simbólico.
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