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Carnaval do calor impiedoso derrete milhões de máscaras no planeta tomado de fogo e água

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É Carnaval! Tudo funciona conforme a tradição: o ano só começa depois que Momo for descansar e o cristianismo decretar respeito ao período de preparação para a Semana Santa, o da Quaresma. Os festejos carnavalescos tomam toda a estação do Verão, agora já temida devido às altas temperaturas nunca experimentadas em sensações térmicas cada vez mais insuportáveis. Causadas decerto pelas mudanças climáticas que cientistas  alertam iminentes e vorazes contestadas por contumazes negacionistas  que os  contradizem orquestrados e alimentados pelos grandes interesses econômicos viciados em contra-argumentar, sobretudo da indústria, que se consideram ameaçados, resistentes a uma nova lógica de produção.


 Os estragos causados pela ação humana devastadora no meio ambiente, mesmo de norte a sul do nosso país sentidos, ainda não foram suficientes para a sociedade em cada território de moradia sequer mudar hábitos, reflorestar áreas degradadas, livrar da contaminação dos esgotos e lixos as suas águas de rios, lagoas e mares. Dentre outras providências como diminuir o impacto do uso dos combustíveis fósseis no ar e no solo e fazer chegar  às casas a contento os serviços de saneamento básico Mas é Carnaval no Brasil das multidões folionas conectadas mascaradas, aos seus modos:  cara limpa, pintada ou com acessórios simbólicos que lhe encobrem o rosto usados em rituais satíricos e representativos dos seus universos espirituais. Difícil decifrar o enigma do caráter de cada um destes mascarados de si próprio no contexto da multiplicação de um único rosto, o do folião.


É um evento que se fez tão importante no calendário das festas maiores por unir gente diferente a reproduzir a desigualdade contida e gerada nos seus modos de vida e de ocupar os espaços. Que se quer indiferente neste momento de folia a todos os problemas de exclusão social e irresponsabilidade do mundo quanto à sobrevivência da vida no planeta. Ressente-se da falta de uma política educacional capaz de implementar a educação ambiental dentro e fora das escolas, nas comunidades, igrejas, terreiros, na área rural e junto aos ribeirinhos. Falta presença do insipiente movimento ambientalista dissipado pelas fragmentações de unidade, que podem aprovar consensos de discursos e ações durante a  Conferência Mundial sobre as Mudanças Climáticas da ONU - COP30 em Belém, no mês de novembro deste ano, reunindo  chefes de Estado e representantes ambientalistas.


Que Camaçari, na nossa linda Bahia, encontre os rumos para fazer o seu dever de casa. O município carece de uma política ambiental bem dotada de recursos humanos e materiais e diretrizes claras  satisfatórias para evitar arder no fogo criminoso que destrói constantemente suas matas em áreas de proteção ambiental, principalmente as matas ciliares, o que vai aprofundar a escassez de água. Caso contrário a qualidade de vida no município vai se deteriorar e a vocação para o turismo não será reconhecida por nacionais e estrangeiros. 
Vamos apostar na nova gestão do prefeito Luiz Caetano, disposto a reverter um quadro adverso reclamado deixado pelo seu antecessor.
 

Por: Angélica Ferraz, jornalista, ambientalista

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