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Camaçari

De pescador a conselheiro Nacional de Pesca: Conheça a história de Ajax Tavares

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Filho, neto e bisneto pescador, Ajax Tavares é uma referência no que diz respeito a valorização da pesca na Bahia, em especial no município de Camaçari. Hoje, estando no terceiro mandato como membro do Conselho Nacional de Pesca no estado, em entrevista ao Portal, o conselheiro contou como começou o seu envolvimento com atividade pesqueira.

“Quando não pude mais trabalhar no Polo Petroquímico de Camaçari, devido as minhas posições políticas, sou filiado ao PC do B, tive que encontrar um jeito de sustentar meus filhos, então eu tive o privilégio de pescar com os melhores mestres daqui da região, como Zuca, Freeds, Mota, e tantos outros. Depois disso busquei estudar, tenho formação em Direito, em História, e comecei a me preparar para ajudar os pescadores em retribuição ao que um pescador fez comigo, que foi meu pai, que me ajudou a estudar enquanto ele trabalhava. Isso me fez passar pela presidência da Colônia de Pescadores de Arembepe Z14, pela presidência da Cooperativa de Pescadores de Camaçari, pela Federação de Pescadores, onde estou até hoje como diretor de Relações Institucionais. Como participei de várias conferências, meu nome foi indicado para representar a pesca da Bahia no Conselho Nacional da Pesca”, relatou.

Ajax também está coordenando o Fórum Nacional da Pesca Artesanal. “Nós estamos criando em 12 plenárias que fizemos pelo Brasil, das quais eu participei, faltam mais três, [Manaus, Belém e Santa Catarina], nós estamos tentando copiar toda a legislação que existe sobre a pesca artesanal, para transformá-la apenas em uma lei que torne a pesca uma política de Estado e não de governo, para acabar com muitas distorções que existem na condução desse importante vetor econômica. O que a gente quer é garantir direitos, estabelecer metodologia, criar, instrumentalizar o segmento. Os pescadores recebem um defeso, não porque eles acham bonito nem bom, já que o valor pago aqui no nosso município é simbólico realmente. Um pescador numa pescaria boa ganha mil reais em três dias”, pontuou.

Para Ajax, é preciso estruturar o segmento para que ele não seja expropriado. “Para diminuir os atravessadores, para que o custo da atividade seja menor. Por exemplo, na Europa, no país Baixo, onde nós fivemos uma visita, o pescador chega no cais, nem recebe dinheiro ali, entra numa caminhonete e vai pra casa, porque tem toda uma estrutura de organização. Quando o dinheiro cai na conta ele sustenta a família, mantém o filho na universidade. Quer dizer, é uma profissão digna como qualquer outra, e ainda mais, uma profissão milenar. O que estão tentando é que a pesca industrial, se sobreponha de tal forma à pesca artesanal”, disse.

Outro ponto abordado por Ajax é incluir filhos de pescadores em programas do governo, para que eles possam estudar em um turno e ter uma renda no contraturno, através da atividade da pesca. “A gente está querendo nesse projeto é resgatar os velhos mestres que não pescam mais, que não têm a formação acadêmica para serem contratados pelo governo por uma instrução, mas que podem por meio de um convênio, passar para os jovens toda a sua expertise. Porque tudo que a academia faz, a origem dela é na sociedade. Ela só é uma professora, ela só normaliza, ela só sistematiza. Mas, o conhecimento que tem, no caso da pesca, é o pescador. Estamos chegando a perder a nossa capacidade de explorar o oceano, porque não ocupamos da forma que deveríamos”, concluiu.

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