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Município do Conde: O Pantanal do Litoral Norte

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A equipe do Portal foi no último final de semana, conhecer as belezas do Conde, município que fica a 178 quilômetros da Salvador. Em entrevista com o condense, Ítalo Gabriel Santos Silva, membro da Câmera Técnica da Costa dos Coqueiros, descobrimos que a cidade é considerada o “Pantanal do Litoral Norte”.

Ítalo, que é administrador de formação e empresário do ramo de hotelaria, proprietário do Hotel Costa do Sol no Conde, explica que as belezas naturais do Conde, deram a ela o título de Pantanal do Litoral Norte, pela Unidade de Conservação de Proteção Integral, da Península da Siribinha, além de fazer parte de uma Área de Preservação Ambiental (APA). “São 44 quilômetros de praias, temos rios, cachoeiras e balneário. O Conde é uma cidade banhada por águas, eu costumo dizer. Nosso município foi doado por Garcia d’Ávila aos Jesuítas e fazia parte de Esplanada. São 87 anos de emancipação política”.

O Conde é um dos 8 paraísos da Costa dos Coqueiros, que integram a Câmera Técnica, colegiado criado com o objetivo de unir os municípios no sentido do desenvolvimento coletivo do turismo. “O intuito da Câmara Técnica é trazer possibilidades e buscar políticas públicas para ajudar os oito municípios, tanto no lado da divulgação trabalhando no marketing forte, como na consolidação em busca de novos recursos para as cidades pertencentes. Na Bahia são 13 zonas turísticas e a gente faz parte de uma delas que é a Costa dos Coqueiros. Existe a possibilidade de aumentar para nove paraísos, com a entrada de Cardeal da Silva, a Câmara sempre aceita novos membros como investidores, empresários do meio do ramo de turismo, dentro de outras possibilidades”, destacou Ítalo.

E falando de turismo, Ítalo é um estudioso da história do município onde nasceu. Ele acredita que faltam políticas públicas e novos investimentos para alavancar o turismo no Conde. “O município precisa estar aberto a aceitar novos recursos de grupos privados. Por exemplo, hoje Baixio é a ‘Vedete’ do Litoral Norte com o investimento do Prima. Talvez se a gente tivesse recursos como um grupo grande, forte como Prima aqui dentro de Conde, as coisas melhorariam 100% na questão turística. Tem que melhorar também a infraestrutura do lugar para receber novas pessoas, trabalhar na educação cultural, turística e patrimonial dentro das escolas, para que as pessoas tenham uma consciência melhor de como realmente se funciona, de como realmente se faz turismo. Porque fazer turismo não é ir visitar, fazer turismo abrange muitas coisas. Além de preparar todos os meios de hospedagem para que possam receber as pessoas, na qualificação de atendimento ao cliente, da melhoria de roteiros gastronômicos, na valorização daquela pessoa que pesca o seu camarão, das marisqueiras, na valorização do condense em geral”, exaltou.

O empresário defende também que o Conde deveria ter um museu. “Pra colocar a história do Conde, para que as pessoas pudessem conhecer melhor as suas origens. Porque o Conde na verdade é uma misoginia entre povos indígenas, africanos, colonos e indígenas. Porque quando aqui as terras do Conde foram doadas aos jesuítas que desbravaram o Conde, que foram educando os índios. Mas eles não chegaram pra educar, e sim tomar, pra guerrilhar, pra padronizar uma educação católica, entendeu? Algo que se não existia, e temos a igreja de Senhora do Monte, que é a capela, que já tem 400 anos, para se ter uma ideia de como nossa história é rica e precisa ser divulgada”.

A receita do Conde vem da agricultura, da pesca e do turismo, que é a maior fonte de renda do município. “O Conde também é considerado a terra do coco. Tem algumas fábricas que geram emprego e trabalham com esses materiais. Tem fábrica de óleo de coco que aproveita 100% do coco. Tem fábricas que trabalham com a fibra do coco, e tem a fábrica que trabalha com a água de coco. Tudo isso aqui gerando oportunidades de emprego e renda”.

Em ano eleitoral, Ítalo pontua que os governantes precisam trabalhar mais nas políticas públicas de fomento ao turismo. “Porque a gente tem que entender que o turismo é a 'arma' do negócio da cidade do Conde, aliás de todo litoral norte. Quando a gente pensa em Litoral Norte, a gente pensa logo em turismo. Eu acho que tem que focar mais no turismo, não somente no turismo de praia, mas no ecoturismo, no turismo de observação de aves, temos um manguezal lindíssimo cheio garças, a gente também tem o periquito da cara suja e o gavião caranguejeira, que são aves raras, estudadas pela Universidade Federal da Bahia, já veio até gente de outros países pesquisar essas aves que só tem aqui no Conde em outra região do Ceará, se eu não me engano. Trabalhar a sustentabilidade, manter a cidade limpa, os comerciantes. Entender que o lixo, além de ser uma fonte provedora de economia, através do lixo de reciclagem, ela ajuda a matar a fome de muitas famílias, também mantém a cidade limpa, protege os animais, protege nossa fauna, nossa flora, ou seja, políticas públicas de reordenamento desse material que é recolhido".

A arte e a cultura são outros nichos que Ítalo exalta no Conde. “Eu adoro pintar, fazer figurinos, amo moda, inclusive eu já fiz até uma produção do concurso Rainha do Coco, eu produzi todos os figurinos com minha prima utilizando o coco. Já teve uma reportagem, uma matéria até pela Prefeitura Municipal de Conde, dedicada a mim, sobre essas peças lindas. No Conde temos a cultura dos mascarados, que é uma manifestação cultural onde as pessoas criam fantasias com produtos recicláveis, que acontece no mês de julho. O Conde é riquíssimo em grupos de dança, a gente tem um samba de coco, tem a capoeira, tem as associações que trabalham nessa parte cultural, a gente tem o Grupo Siribeira. A gente tem o Novembro Negro onde a gente celebra as culturas de matrizes africanas. Temos o grupo de teatro Fênix, a gente tem a celebração a Axé, que é um culto ecumênico para os povos de terreiro, enfim, muita arte e cultura”, finalizou.

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