Um acidente de moto, ocorrido na noite do último domingo (17/12), na rotatoria da Estrada do Coco (BA-099), vitimou fatalmente o capoeirista de Vila de Abrantes, Jaldemir de Souza Neves, conhecido carinhosamente no distrito como Jal Aranha. O velório de seu corpo aconteceu na segunda-feira (18), no cemitério do distrito, que ficou lotado de amigos, familiares e admiradores, sendo marcado por muita comoção e depoimentos emocionados.
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Por iniciativa de Jal Aranha, junto com amigos, foi iniciado o Grupo de Capoeira Engenho, como lembra com carinho o Mestre Grandão, que está à frente do projeto. “Eles conseguiram o espaço, formaram uma turma de 40 alunos, chegaram pra mim e falaram: ‘vai, começa, vem ensinar’ [...] isso em 1998. Hoje o sentimento é de gratidão por um cara que sempre fez muito e sempre se questionou se estava fazendo muito. Hoje vivemos em mundo onde as pessoas fazem pouco e querem muito. Mas Jal sempre se questionava e eu falava a ele ‘cara você já faz demais pelas pessoas’. Então, gratidão eterna por ele, tudo que sou hoje devo a humildade e o carinho que esse cara teve por mim na minha chegada a Vila de Abrantes”, salientou.
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Gilvanice Conceição Santos do Nascimento, ou apenas Azeite, conta que junto com Aranha, foi convidando as pessoas para jogar capoeira, e assim surgiu o Grupo Engenho. “Eu perdi um irmão, fomos criados juntos, todo mundo na mesma pegada. Aranha era muito participativo, logo no começo todo duro [na capoeira], depois o mais brabo, estou muito triste. Meu sentimento é de gratidão por ter tido a oportunidade de ter crescido junto com ele, porque foi meu amigo, meu irmão, um cara parceiro, que tinha sede de vencer na vida a cada dia, um desafiador. Ele era amor, ele sempre pregou isso em todo lugar que ele passou. Ele poderia ter ficado mais, mas também cumpriu a missão dele na terra”, lamentou.

Valter, amigo de Aranha, ressaltou que sempre o admirou. “Um cara incrível, que não dizia não a ninguém. Sempre prestativo e muito trabalhador. Eu costumava dizer a ele que se um dia eu ganhasse na loteria iria fazer três coisas por ele. Compraria um cavalo, porque ele era apaixonado por cavalos, compraria um pasto, e um carro bom para ele trabalhar, porque ele trabalhava com um carro velho, caindo aos pedaços, que quebrava toda hora. Fica a reflexão que 'a vida é rápida em sua passagem'. Em um momento você está feliz, alegre e de repente você fecha os olhos e tudo acabou”, lembrou com carinho.
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O diretor do Portal, Moura Positivo, que tinha uma relação de amizade e carinho com Jal, lamentou profundamente a sua passagem. "Meu afilhado, pois ele me chamava de padrinho, vai deixar saudades eternas", falou emocionado.
O último adeus a Jal foi com o toque de um berrante, pois o capoerista era apaixonado por cavalos.

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