O urbanista Fábio Moura, que participou da Audiência Pública realizada na Câmara Municipal de Camaçari, na manhã última quarta-feira (30/08), sobre os impactos sociais e econômicos causados pelas praças de pedágio das Concessionárias Litoral Norte (CLN) e Bahia Norte (CBN), à população, a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), precisa rever os contratos com as empresas. Em entrevista ao Portal, ele que mora em Salvador e usa durante a semana as vias pedagiadas, salientou que é preciso que os poderes Legislativo e Executivo tomem uma posição de protagonismo nesse debate.
Fábio, que também é servidor público da Prefeitura de Camaçari há 10 anos, destacou que a partir do que foi exposto na Audiência, é preciso o poder público tomar uma posição. “Saio daqui com a certeza que o município, o Executivo e o Legislativo, precisam reagir diante dessa situação, porque a população que veio aqui falar passou uma mensagem muito clara, de todos os problemas que estão sendo gerados, sociais, urbanos, econômicos e humanitários, por conta da localização das praças de pedágio. Acho até que as pessoas não querem que deixe de existir o pedágio, elas reconhecem o retorno na mobilidade urbana que eles dão, só que é escorchante os preços que praticam para pessoas que moram do lado do pedágio, ou moram em um raio de 500 metros, especialmente para quem mora em Jauá, Arembepe, Vila de Abrantes e em Areias. Então tem que ser revista essa política de preços para os moradores que estão no entorno das praças”, pontuou.
Para o urbanista, alternativas devem ser encontradas o quanto antes para minimizar os impactos causados à população. “É preciso criar compensações para os moradores, tem que haver um cadastro socioeconômico, estudos de reposicionamento das praças de pedágio, especialmente a da Estrada do Coco, porque a da Via Parafuso é muito difícil de reposicionar de onde ela está. Nós temos dois grandes vetores de ligação sede e orla, que são a Cascalheira e a Cetrel, e a praça de pedágio da CLN bloqueia economicamente, financeiramente toda essa integração entre sede e orla pela Via Cascalheira. E se a praça fosse deslocada para o entorno da Tronox, antes de chegar em Arembepe, as pessoas que moram em Areias, Jauá, não seriam tão impactadas com o pedágio, como são hoje em dia, e se teria o acesso livre, financeiramente falando a Cascalheira, e a sede. Porque muita gente hoje não sai da orla para ir a sede por causa do pedágio e vice e versa”, disse.
Para Fábio, as vias alternativas existentes não são favoráveis à população. “As pessoas se aventuram para economizar, mas que economia é essa que coloca a vida em risco, que gasta mais combustível, mais tempo. Então o mínimo era a Agerba também se posicionar, fazer um estudo, rever esses contratos, em parceria com o município, porque não é justo o pedágio cobrar por um serviço, um valor, para pessoas que vão percorrer o litoral norte todo, que vão fazer turismo em Praia do Forte, em Imbassaí, Sauipe e vão até para outro estado, e quem mais carrega a cruz são os moradores de Camaçari. Isso virou uma causa humanitária, e que as autoridades públicas de Camaçari precisam reagir. Essa audiência pública é um primeiro passo para que haja uma movimentação política, para que a procuradoria geral do município seja acionada para pressionar a Agerda, enquanto órgão estadual, para rever esses contratos”, finalizou.





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