O Dia Mundial de Proteção dos Manguezais é comemorado desde 2004, anualmente, no dia 26 de julho. A data foi estabelecida em 2015 pela UNESCO com o desenvolvimento de ações no mundo inteiro contra a degradação e o desaparecimento desse importante ecossistema para a biodiversidade marinha e a consequente perturbação para vida das comunidades que dependem dele.
A importância do ecossistema manguezal data de 1760, quando o rei D. Jose I, expediu alvará real, proibindo o corte das árvores para utilização da casca no curtimento de couro, dada a sua importância as espécies vivas, inclusive o homem, enfim a biocenose, isto é, conjunto de espécies e suas populações, vivendo com certa interdependência nesse biótopo.
O manguezal é um rico berçário com condições ecológicas perfeitas para 75% das espécies de peixes, moluscos, crustáceos, para avifauna autóctone, migratória e para o homem como fonte de alimentos de qualidade biológica superior. Entretanto, a atividade antrópica é a principal ameaça e fonte de degradação.
Acrescente-se a essas informações, os principais benefícios do ecossistema manguezal para o meio ambiente:
· Constitui a base de uma complexa cadeia alimentar marinha.
· Serve como um “berçário” de proteção à prole de diversas espécies que se reproduzem no manguezal.
· Filtra e assimila poluentes do escoamento das terras altas.
· Estabiliza sedimentos.
· Melhora a qualidade da água.
· Captura gazes do efeito estufa.
· Protege contra mudanças climáticas.
Some-se aos benefícios acima as características de sustentabilidade ecológica que o mangue oferece, a exemplo, para a reciclagem de nutrientes e matéria orgânica; na prosperidade econômica com a produção de alimentos, aquicultura, madeira e outros recursos; além da segurança ambiental, através da proteção contra desastres naturais e para valores culturais.
Os mangues produzem mais de 95% do alimento que o homem obtém do mar. Sua manutenção é vital para a subsistência das comunidades pesqueiras que vivem em seu entorno. A vegetação de mangue serve para fixar as terras, impedindo assim a erosão e ao mesmo tempo estabilizando a costa.
Em 26 de julho repito, é comemorado o Dia Mundial de Proteção Manguezais, um ecossistema presente em comunidades costeiras tropicais e que se caracteriza por apresentar um solo muito úmido, coberto de lama e com uma vegetação a sua volta.
O principal problema enfrentado pelos manguezais não é a ausência de leis para sua proteção, é a falta de fiscalização ambiental preventiva e corretiva para evitar, mitigar reduzir os efeitos da degradação antrópica dos manguezais, além da falta de conscientização da própria população.
O manguezal, também conhecido por mangue e, em algumas regiões brasileiras por lodaçal é um ecossistema de grande importância que a natureza oferece.
Localizado nas regiões litorâneas do planeta Terra, resulta do avanço da água do oceano para o continente, formando extensas áreas alagadas, cobertas por vegetação com características fisiológicas para sobreviver em ambiente salino, denominada halófita, tolera de 05 a 30% de salinidade, pouco oxigênio, solo úmido com plantas pneumatóforas. isto é, característica de respirar pelas raízes aéreas.
Além de abrigar inúmeras espécies animais e vegetais, os manguezais possuem importantes funções ambientais. As raízes aéreas das plantas ajudam a diminuir a velocidade do curso das águas, das ondas, diminuindo os impactos sobre o solo, contendo processos erosivos. Essas raízes e demais formas de vegetação ajudam a conter os sedimentos e contribuem para uma espécie de “filtragem” das águas.
O cheiro característico do manguezal resulta da utilização de enxofre pelas bactérias para decompor a exuberante quantidade de matéria orgânica na ausência de oxigênio com a liberação de cheiro desagradável e forte.
O ecossistema recebeu a denominação manguezal em função das espécies vegetais predominantes, denominadas mangue. Os manguezais estão presentes em regiões tropicais e subtropicais de 123 países no mundo.
Em resumo, trata-se de um ecossistema biologicamente diversificado, rico e produtivo, razão pela qual deve ser preservado e conservado. Contribui para o bem-estar da população costeira, na geração de emprego, renda, além de fornecer alimentos, para a população e fonte de nutrientes para a fauna e flora marinhas.
A fauna dos manguezais é composta por peixes, ostras, mariscos, crustáceos e aves, microrganismos aquáticos, entre outros, caracterizando uma significativa biodiversidade ou diversidade biológica.
Os caranguejos são abundantes e se alimentam das folhas e raízes das árvores, ajudando a processar o material orgânico e contribuindo para o equilíbrio ecológico no ambiente. A apanha e comercialização de caranguejos, revelam-se como atividades de importância para as comunidades marinhas como fonte de renda, para quem, exclusivamente, tem nessa atividade a única fonte de receita financeira.
O caranguejo é o animal característico do manguezal, formando comunidade bastante numerosa, caracterizando sua importância para o meio ambiente. Outros animais habitam o manguezal, a exemplo de garças, pombas, morcegos, cágados, jacarés, sapos, rãs, gaviões do mato, entre muitas outras espécies de animais.
A literatura registra aproximadamente 70 espécies de árvores de mangue identificadas em todo o mundo. Esse tipo de vegetação tem grande relevância, proporcionando uma série de benefícios econômicos e ambientais para os ambientes litorâneo e marinho, já mencionados.
Quanto a flora no Brasil é composta pelo mangue-branco (Laguncularia racemosa), mangue-preto ou canoé (Avicennia schaueriana, A. germinans e A. nitida), mangue-botão (Conocarpus erectus), abaneiro (Clusia fluminensis) e Hibisco-do-mangue.
No Brasil, estima-se uma área de cerca de 10 mil quilômetros quadrados de extensão de mangues no litoral, desde o Amapá até Santa Catarina, formando uma das maiores extensões do ecossistema no mundo.
O ecossistema manguezal está sob ameaça constante no território brasileiro pela poluição e pelo desenvolvimento urbano desordenado e sem planejamento. Cerca de 20% dos manguezais brasileiros já tinham sido devastados no início do século XX.
Segundo dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), nas regiões Nordeste e Sudeste, 40% dos manguezais foram devastados, provocando alterações significativas na sua diversidade biológica.
Some-se a exploração inconsequente a poluição causada tanto pela contaminação dos rios que passam pelos mangues quanto pela deposição inadequada de resíduos (lixo), efluentes industriais, domiciliares, inclusive aterros para investimentos imobiliários. Até mesmo para reduzir mau cheiro resultante da transformação biológica da matéria orgânica.
A poluição de rios e mares em conjunto com a especulação imobiliária nas regiões litorâneas tem afetado, significativamente, os mangues. Esta área tem diminuído de tamanho, o ecossistema na região tem sido afetado nas últimas décadas, com efeitos negativos para a população que vivem da caça e comércio do caranguejo.
Apesar das inúmeras leis de proteção, é preciso também intensificar ações de fiscalização severa e educação ambiental formal, informal, como um processo contínuo de sensibilização e conscientização sobre a importância desse importante berçário estuarino, a fim de conter a devastação antrópica.
A ONG Guardiões do Mar, através do Projeto do Mangue ao Mar, em convênio com a Transpetro realizou o primeiro Congresso Nacional de Manguezais (ConMangue), de 17 a 20 de julho de 2023, na Sala Nelson Pereira dos Santos, em Niterói. O evento contará cientistas, educadores, comunidades tradicionais, atores governamentais e sociedade civil, Na oportunidade, será celebrado o Dia Mundial de Proteção aos Manguezais e 25 anos da ONG Guardiões do Mar.





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