A data de nascimento do biólogo americano Archie Carr, 16 de junho, primeiro estudioso sobre os deslocamentos das tartarugas marinhas à longas distâncias, entre continentes, para alimentar e reproduzir, foi escolhida para celebrar o Dia Mundial da Tartaruga Marinha, oportunidade para refletir sobre a necessidade urgente de preservação e conservação desses animais.
As tartarugas marinhas são animais pré-históricos vivem no planeta Terra há milhões, de anos, desde a Era Mesozoica (entre 205 a 142 milhões de anos atrás). Conviveram com os dinossauros extintos a 65 milhões de anos, portanto, resistiram a todas as mudanças e alterações ambientais do mundo.
Essa resistência às mudanças (intemperismo), são considerados animais símbolos de resiliência em diversos país: Mãe Terra para a cultura hindu, Sabedoria e boa sorte para os havaianos, Longevidade para os indígenas da América do Norte, Sagradas para muitas culturas da América Central.
Do ponto de vista da ciência biológica, o mar é o habitat das tartarugas marinhas, porém após completar 20 (vinte) anos de idade, as fêmeas necessitam da praia nidificar e desovar cerca de 130 ovos. A taxa de sobrevivência é baixa, para cada mil nascimentos, apenas dois filhotes chegarão a vida adulta, enquanto a maioria irá literalmente “servir” a uma causa maior, o equilíbrio da natureza, ou seja, nutrir uma vasta cadeia alimentar (aves marinhas, caranguejos e peixes em geral).
A título de informação, as pesquisas pioneiras do pesquisador americano, Dr. Archie Carr, iniciadas em 1940, com balões meteorológicos e radiotransmissores no casco das tartarugas marinhas para coletar informações sobre as rotas e a velocidade durante o deslocamento entre os continentes, desvendaram as grandes migrações, a exemplo das tartarugas da ilha de Ascensão, localizada próxima ao continente Africano para a costa brasileira.
Dr, Caar recebia as informações no seu laboratório na Universidade da Flórida, via cartas, cuidadosamente respondidas e recompensadas com cinco dólares cada. Esse pioneirismo do biólogo americano foi inteligentemente reconhecido pela decisão de se escolher da data do seu nascimento como dia mundial para celebrar as tartarugas marinhas.
No mundo só existem sete espécies de tartarugas marinhas, todas ameaçadas de extinção, dentre elas, cinco usam o litoral brasileiro para alimentação e reprodução: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea).
Nos dias atuais, a sobrevivência das tartarugas marinhas depende dos predares, da ameaça do lixo plástico, estimado em cerca de 13 milhões de toneladas, despejadas inadequadamente nos oceanos confundidas como alimentos. Também entra nessa conta, pedaços de rede e instrumentos de pesca que podem servir de armadilhas, levando-as à morte.
O papel ou a importância das tartarugas marinhas na cadeia alimentar marinha é indubitável. Assegura a existência de uma infinidade de peixes, crustáceos, moluscos, esponjas, medusas”, portanto, garantir a sobrevivência desses répteis é extremamente importante para retirar da relação em extinção, evitando impactos negativos para a cadeia alimentar.
No Brasil, o Projeto Tamar, uma soma de esforços entre a Fundação Pró-Tamar e o Centro Tamar do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tem por missão estratégica a proteção das cinco espécies ameaçadas de extinção (Portaria do Ibama, nº. 1.522, de 19 de dezembro de 1989), em cerca de 1.100 quilômetros do litoral brasileiro.
O Projeto Tamar atua em 25 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e nas ilhas oceânicas dos estados do Ceará a Santa Catarina.
Some-se a esse trabalho, ações para: manter a limpeza das praias, mares; destinação correta do lixo; reduzir as capturas incidentais e mortalidade das tartarugas; proteger as áreas prioritárias de reprodução e alimentação; reduzir a intensidade de iluminação nas cidades litorâneas para evitar a desorientação tartarugas para alcançarem as praias; educação ambiental formal e informal para sensibilização da população, principalmente da costa; denunciar ao ICMBio a pesca irregular e criminosa e a punição dos infratores na forma da lei.





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