O Portal entrevistou a secretária de Cultura de Camaçari, Márcia Tude, para saber dos avanços, planejamento, e projetos futuros da pasta. A gestora, que participou do Papo Aberto, Papo Reto, destacou que seu maior sonho, de implantar o Bolsa Cultura no município, está perto de se realizar.
Nos quase sete anos de trabalho à frente a Secult, Márcia Tude fala da felicidade de evoluir, ao ponto da cidade ter um Plano Municipal de Cultura. “Temos um sistema fechado, temos hoje um CPF da cultura de Camaçari, ou seja, é como se a gente tivesse chancelado no Brasil, para concorrer a inúmeros programas, projetos e editais também. Porque, por exemplo, o Centro Antigo, essa reforma toda que demorou e que será entregue agora, ele foi fruto de um edital que nós concorremos e vencemos, que é o Cicom, um sistema de convênios do Governo Federal que abre os editais para os municípios, e é assim que a gente capta recursos que ajudam o Governo Municipal, porque são recursos extras, que não são previstos em nosso orçamento, e que entram complementarmente”, explicou.
A gestora salienta que já foram lançados em Camaçari, 33 editais, entre 2017 e 2023. “E tem as Leis Paulo Gustavo e Adir Blanc II, que dependem agora de uma adequação, ajuste orçamentário, para que a gente possa começar a distribuir esse recurso em termo de investimento cultural, em todo município. Todo passo que nós damos, temos que prestar contas ao Conselho de Cultura, porque temos que discutir os caminhos que a gente vai seguir, principalmente em relação as leis que vigoraram depois da pandemia. O Conselho tem sido muito parceiro para que realmente a gente consiga atender quem mais precisa. A Aldir Blanc veio lá atrás porque o segmento estava parado. A Paulo Gustavo vem para reparar o tempo que ficamos parados no audiovisual”.
A secretária explica ainda sobre os critérios de utilização dos recursos. “Vale lembrar que o recurso que está vindo para o áudio visual, que é a Lei Paulo Gustavo, tem que estar atrelado 70% ao vídeo, a telona e a telinha, que é o nosso celular. Claro que 30% dele vai estar atrelado a outras linguagens, mas que também dialoguem de alguma forma com o audiovisual. Por exemplo, a gente não pode fazer um inventário da cultura popular só com audiovisual, porque pode ser perder ao longo do tempo, se ele não for distribuído em canais institucionais que vinguem ao longo dos anos, porque muda o governo, as políticas públicas, e por isso a gente precisa deixar ele registrado em livros”.
Mácia Tude pontua que existem classes no município, que não sabem que fazem parte da Cultura. “Manicure, que faz parte da beleza, é um segmento que tem sido pouquíssimo explorado, que é a moda. Já a gastronomia é um segmento que nós exploramos diariamente, tanto no turismo, quanto na cultura, mas que não comunicamos isso de uma forma que a comunidade entenda que é um agente cultural. Então temos aqui na culinária uma força muito grande como na arquitetura, no designer, na rádio difusão, no audiovisual, novas mídias e tecnologias, nos movimentos sociais, na literatura, dança, teatro, circo, ópera, enfim, nós temos muitos caminhos para aportar recursos na cultura, e vamos aportar”.
A Secult conta com o apoio de uma empresa para alimentar o mapa cultural do município. “Estamos com uma plataforma muito responsiva. Camaçari é um dos poucos municípios do Brasil, que contratou uma empresa para alimentar seu mapa, e para ajudar a descobrir caminhos, para não ficarmos reféns das mudanças institucionais, que fizeram muito mal a cultura. Então tudo isso, embora no Governo Federal tivesse tendo esse desmonte, em Camaçari a nossa gestão investiu em cultura. Observe os dados de uma reportagem da Folha de São Paulo, onde Camaçari foi o município que mais investiu em cultura na Bahia, sendo o quarto do Nordeste. Um investimento de mais de R$ 20 milhões, de fonte do Tesouro Nacional. Camaçari seguiu um destino diferente do destino do Brasil, e eu devo isso a sensibilidade do prefeito Elinaldo”.
Sobre o Centro Antigo, a secretária ressalva que as obras estão em fase final. “Estamos finalizando o arquivo histórico municipal, então acredito que no mais tardar no mês de agosto, a gente entregue. Mas, temos ainda a empreitada da Praça Desembargador Montenegro, Abrantes e a 13 de Maio, que é a Praça do Skate, para tocar em 2023 e 2024, onde pretendemos entregar esses equipamentos reformados, para que a gente deixe aqui de legado o que não encontrei quando assumi a pasta, que foi a memória. Tive muito trabalho de fazer um novo sistema, de começar do zero, então hoje nós temos um sistema muito forte. Já a obra do Cinetreatro está andando muito rápida e a previsão de entrega é para dezembro”.
Em relação ao que falta realizar à frente a pasta, Márcia conta que seu maior sonho é a implantação do Bolsa Cultura. “É um benefício cultural permanente, que vai ultrapassar as gestões, para que a gente tenha bolsistas tanto monitores, quando aprendizes nas áreas culturais em nosso município, sem importar a idade, porque bolsista pesquisador é muito importante para a nossa cidade. Então é um sonho que está sendo regado com muito carinho, já está na nossa LDO, já é meta, a Sefaz já autorizou, estamos redigindo o Projeto de Lei, que sairá do Executivo para o Legislativo, e ano que vem a gente implanta”.
Questionada sobre os principais gargalos que enfrentou quando assumiu a pasta em 2017, a secretária mencionou três principais dificuldades. “A primeira foi não encontrar memória na Cidade do Saber, isso foi muito difícil, até hoje trabalhamos na recuperação dessa memória. A segunda foi a baixa infraestrutura cultural que nós tínhamos na costa, aí conseguimos ampliar Abrantes, inaugurar Barra do Pojuca, com Arembepe a gente conseguiu dar uma força maior e agora a gente está com uma associação em Monte Gordo, desenvolvendo atividades de capoeira. Outro grande desafio foi enfrentar a descrença do primeiro edital de apoio a cultura, foi muito ruim, mas conseguimos fazer 33”.
O Portal pediu para que Márcia Tude fizesse uma avaliação da sua gestão, no entanto ela acredita que tem muita coisa para acontecer ainda, para poder realizar um balanço. “Falta o benefício cultural, para se fazer uma avaliação. Tenho uma equipe incrível, que trabalha unida, que se aperfeiçoa, que dá uma devolutiva muito além do que eu pudesse imaginar. A comunidade também me acolhe com muito carinho e respeito, por eu ser filha de Tude principalmente, e nesse lugar que eu amo”.
Para mais informações sobre a pasta e editais, é só acessar o https://secult.camacari.ba.gov.br/.





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