O autor do crime ocorrido na última terça-feira (21/02), durante o desfile de um bloco de Carnaval, em Vila de Abrantes, que vitimou fatalmente o técnico de instalação de internet, Djavan Maia do Nascimento, 40 anos, se apresentou espontaneamente nesta quinta-feira (23), na 26º Delegacia Territorial (DT) do distrito, e assumiu o homicídio. O acusado de prenome Rafael, é irmão da namorada da vítima.
Após ouvir o depoimento, a delegada titular Dra. Elaine Laranjeira, vai representar ao judiciário pela prisão preventiva do acusado. ”Ele disse que cometeu o crime para defender a mãe de coração, a senhora Miriam, mas que a intenção dele realmente não era causar a morte de Djavan. Outras pessoas que estavam no local, testemunhas já foram ouvidas também, faltam ouvir mais algumas pessoas que participaram daquele momento, que foram citadas em outros depoimentos, para que o procedimento possa ocorrer de forma célere e que traga uma resposta para a sociedade, porque crimes como esse precisam ter uma resposta imediata da polícia civil”, exaltou.

De acordo com o chefe do SI, Eremar Freitas, o autor já tinha tido um relacionamento antigo com uma ex-namorada de Djavan, e possivelmente existia uma mágoa, no entanto o crime aconteceu por conta de um desentendimento com a forma de pagamento da compra de uma bebida no Bar Sossego da Paz, da mãe de Rafael. “Na hora de efetuar o pagamento Djavan queria fazer em PIX, e a proprietária só aceitava dinheiro, uma aposentada, que tem aquele local só para ocupar o tempo dela, fato que gerou insatisfação por parte do Djavan, e começou uma discussão entre eles. Parece que ele xingou algumas pessoas dessa família do bar, que se sentiram ofendidas por se tratar de uma pessoa idosa, e a filha já entrou pelo meio, e em dado momento dessa briga ele recebeu uma copada, e reagiu e partiu pra cima da proprietária, então o filho dela, vendo aquela situação com a mãe, não pensou duas vezes e partiu para cima dando golpes de faca”, explicou.

Djavan estava na festa na companhia da namorada, Deisiane Reis de Jesus, que ficou em um determinado local aguardando ele e a amiga comprar bebida. O Portal ouviu a versão da companheira da vítima, conhecida popularmente como Nana, irmã de Rafael. “Eu disse pra ele comprar cerveja em Tom, e ele me disse que o depósito estava cheio e que iria em minha avó. Minha colega foi com ele e logo ela voltou correndo e relatando que Djavan estava ensanguentado. Quando cheguei no local me deparei com Djavan no chão, com golpes de faca no pescoço, abaixo do tórax, no braço e já sem vida. Encontrei o suposto assassino, Rafael, e perguntei ‘o que foi que aconteceu’ e ele respondeu ‘não sei’, entrou e fechou o portão. Eu e mais três pessoas pegamos Djavan e levamos para o 24h”, contou.

Logo após ele ser socorrido para Unida de Pronto Atendimento (UPA) Dr. Artur Sampaio, a polícia chegou no local do crime e ouviu algumas pessoas da comunidade, deixando um contato a disposição caso alguém se sentisse a vontade para denunciar quem cometeu o crime, e assim foi feito. “Fomos na unidade de saúde, encontramos Djavan em uma maca sem sinais vitais ao lado da namorada, perguntamos o que tinha acontecido, ela nos relatou. Ao retornar para o Bar Sossego da Paz pegamos o suposto autor do crime, que não sabia que nós já tínhamos a informação que teria sido ele, junto com o esposo e a mãe do autor, e comuniquei que precisava formalizar e materializar para a gente dar efetividade as ações da polícia, e perguntei quem cometeu o crime e ninguém se pronunciou. Então levei eles para a delegacia, já que a comunidade estava com os ânimos exaltados querendo justiça”, explicou o chefe do SI, Eremar Freitas.
No primeiro depoimento, na 26º DT, ainda na terça-feira, Rafael negou que tenha esfaqueado Djavan. “Ouvimos também a sua mãe que contou a sua versão, confrontada posteriormente com o depoimento de duas testemunhas e do suposto assassino, até então, e todos seguiram na mesma linha, o que levou a gente a liberar todos. Não poderíamos prender ninguém naquele momento porque estaríamos cometendo uma prisão arbitrária”, explicou Eremar que continuou em contato com os envolvidos, orientando qual seria a atitude mais correta, quando nesta quinta-feira Rafael se apresentou espontaneamente e cofessou o crime.
Deisiane, que se relacionava há um ano com a vítima e há três meses tinha assumido oficialmente o namoro, deseja justiça. “Quero que ele pague pelo que ele fez, quero que a justiça seja feita, e vou estar até o fim do lado de Djavan, da família de Djavan. Estou correndo atrás para poder fazer justiça, porque da maneira com que ele fez com Djavan não se faz nem com um animal. Ele era uma pessoa boa, alegre, brincalhão, e eu não aceito a forma que ele foi morto, e eu não sei porque ele fez isso, queria perguntar porque? Porque?”, disse em lagrimas.
Sobre algumas postagens nas redes sociais, acusando-a de participar do crime, Deisiane pede que as pessoas busquem saber do real ocorrido. “Quem está por aí dizendo que eu mandei, procura saber como foi a história, como foi o fato. É meu familiar? É. É meu sangue? É. Mas eu não estou do lado dele, eu estou do lado de Djavan, ele era meu namorado, ele nunca levantou o dedo pra mim, nunca falou alto comigo”.
Link da primeira matéria sobre o caso:





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