Números, relatos e o trabalho realizado em Camaçari relacionado a violência doméstica no município, foram apresentados durante a Sessão Especial sobre a Campanha Sinal Vermelho, promovida na manhã desta segunda-feira (30/08), na Câmara Municipal. O crescimento de casos durante a pandemia também foi pautado na atividade que contou com a participação de autoridades políticas, policiais, representantes de entidades, órgãos públicos e da sociedade civil.
Proposta pelo presidente da Casa Legislativa, o vereador Júnior Borges (DEM), abriu os trabalhos pontuando que a sessão foi idealizada para chamar a atenção do poder público, em relação a criação de políticas que possam acolher de fato mulheres violentadas todos os dias fisicamente, moralmente e intelectualmente. “Essas mulheres têm sido mexidas por uma sociedade que muitas vezes não compreende na essência a palavra respeito. É preciso garantir seus direitos. Falar sobre a Campanha Sinal Vermelho é dar a devida importância a luta que tem o objetivo de combater a violência contra as mulheres”, defendeu.
A sessão além de divulgar a Campanha que virou o Projeto de Lei 741/2021, sancionado no mês de julho deste ano, serviu para alertar a população sobre a importância da denúncia, após identificar o sinal vermelho de um x na palma da mão de uma vítima. Camaçari conta com equipamentos importantes de proteção as mulheres, como o Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CRAM) Yolanda Pires. “Não me orgulho de dizer que atendemos quase sete mil mulheres de janeiro de 2017 a 31 de julho de 2021, porque não gostaríamos de ter dados como esse, mas temos uma equipe aguerrida de mulheres competentes e preparadas para receber essas outras mulheres”, ressaltou a coordenadora Bella Batista.
Umas das palestrantes da sessão foi a Ten. Deize Pinto, comandante da Ronda Maria da Penha de Camaçari, que explicou o trabalho realizado por sua equipe e apresentou números de casos de violência contra a mulher no município. “Nós evitamos que as medidas protetivas não sejam cumpridas. Nossa luta diária no enfrentamento a violência doméstica é para impedir que o feminicídio aconteça, mas ele acontece, esse crime existe, ele é real, só que ele não acontece de uma hora para outra, é um crime anunciado, ele vem dando sinais, através da violência psicológica, da violência física. Em Camaçari ano passado tivemos cinco feminicídios, dois na sede e três na costa”, relatou.
Segundo levantamento do Data Folha, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aumentaram as agressões dentro de casa durante a pandemia no último ano, onde cerca de 17 milhões de mulheres sofreram violência física, psicológica ou sexual. “A violência contra as mulheres é um fato que tem preocupado a todos nós, especialmente durante o isolamento social, quando observamos em todo o país, um aumento substancial desses casos, que não podem parar de nos indignar”, destacou o presidente da Câmara de Vereadores de Salvador, Geraldo Júnior (MDB).




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