Entre no
nosso grupo!
WhatsApp
  RSS
  Whatsapp
Traduzir:

Ex-prefeito de Camaçari, Ademar Delgado abre o jogo em entrevista exclusiva ao Portal Abrantes

Hoje o ex-gestor vive de forma pacata entre cuidar de sua horta, estreitar as relações familiares e palestras pelo Brasil

Compartilhar com UTM
Link copiado! Agora você pode colar o link com UTM no seu Instagram.

O Portal Abrantes conversou com o ex-prefeito de Camaçari, Ademar Delgado em uma entrevista exclusiva, onde ele falou sobre o período que ficou a frente da prefeitura Municipal, o polêmico rompimento com o também ex-gestor do município e atual deputado federal, Luiz Caetano (PT) e seus planos para o futuro. O bate-papo aconteceu nesta quarta-feira em Arembepe, na casa do auditor fiscal, que hoje vive de forma pacata entre cuidar de sua horta, estreitar as relações familiares e palestras pelo Brasil. Confira:

Portal Abrantes: Como está à vida de Ademar Delgado após deixar a prefeitura de Camaçari, muitas pessoas não sabem que o senhor ainda mora no mesmo lugar?

Ademar Delgado: Absolutamente normal, uma coisa curiosa, quando eu estava na campanha me aconselharam que eu devia mudar, por que era perigoso e o povo iria nos importunar, quando me elegi a mesma história, quando saí do governo também, eu fui o único prefeito desse município que continuou morando na mesma residência onde tenho domicilio eleitoral e estou aqui vivendo minha vida, me organizando do ponto de vista das relações familiares, voltando a estreitar essas relações já que sempre fui muito família.

PA: E profissionalmente, o que o ex-gestor está fazendo?

AD: Fui chamado para palestrar para auditores fiscais do Brasil em Natal sobre essa questão da nossa experiência como gestor e a Universidade Federal da Bahia também me convidou para participar de uma mesa redonda para falar sobre a administração, segurança e bases comunitárias. E é isso, estou seguindo minha vida palestrando.

PA: O senhor tem larga experiência em gestão e chegou ao nível máximo no município no quesito poder sendo prefeito saindo com uma imagem não muito positiva, o que o senhor tem a dizer em relação ao fato do atual gestor falar que pegou a prefeitura acabada e sem nenhum recurso?

AD: Primeiro não tínhamos obrigação de deixar recurso já que eles eram para serem aplicados, e mesmo assim deixamos. Eu não conheço na história desse município onde se faz uma transição para a oposição, onde se deu todas as oportunidades para o gestor que assumisse conhecer a realidade do município abrimos, escancaramos as portas. Essa história de reforma da previdência porque é deficitária, por exemplo é balela. Nós deixamos a previdência do município de Camaçari com mais de R$ 220 milhões em caixa, ou seja, está garantida aposentadoria para os servidores, isso é gestão, duplicamos a receita do instituto quando a encontramos devendo mais de R$ 300 milhões, pagamos o débito e deixamos as contas sanadas, o que precisa é gerir com responsabilidade.

PA: Quais foram os gargalos que o senhor enfrentou dentro do governo quando dizia que “tinha muito fogo amigo”, o que impediu a gestão de avançar?

AD: Não conseguimos concluir alguns projetos importantes por que descobrimos que tinham figuras dentro do governo fazendo o boicote, só que quem á mau caráter se encastelam de tal forma dentro do governo que quando encontram com você até pensamos que são os nossos maiores aliados e mais leais colaboradores, então fica difícil você identificar. Queríamos concluir o projeto de Revitalização do Rio, mas quando a gente tentava caminhar para organizar tinha quem estava desorganizando, só que aí você perdia um tempo, até anos, aí já era tarde demais para desenrolar alguns projetos e foi preciso mudar algumas figuras que estavam na linha de frente. Outro problema foi a crise econômica que pegou os 4 anos do nosso governo.

PA: Falando em polêmicas atuais, sobre a greve dos professores e servidores públicos que não conseguem se alinhar com o governo, o que o senhor acha já que movimentos como esse aconteceram em sua gestão?

AD: Os professores são muito organizados é uma categoria que eu acompanho há muito tempo, essa questão da mesa de negociação é muito importante e quando eu ia pra mesa sempre encontrávamos uma solução, e sempre a gente garantia a data base parcelando os valores. Na minha gestão tinham dois grupos políticos contra mim e mesmo assim os professores aceitaram a proposta e os servidores engavetaram por que tinham promessas e hoje soube que ambos não receberam nada e isso é lamentável.

PA: Qual a sua avaliação em relação ao governo dizer que não tem recurso para pagar os reajustes dessas categorias, existe ou não receita?

AD: Não estou vivendo a realidade local nem apurando a receita do governo, mas acredito que em um governo de ruptura você tem condições de ajustar a maquina ao tamanho que você quer, o de seguimento é mais complicado. Fizemos a transição e mostramos a realidade. Se quisessem valorizar os trabalhadores, os serviços sociais, se essa fosse a decisão tinha condições de fazer por que estava começando do zero, e se arrecada R$ 3 milhões por dia, já era esse valor em meu tempo, e quando foi para o prefeito justificar o aumento do salário dos secretários de administração e fazenda eu vi mostrando nas redes sociais, não sei se é algo oficial, que poderia pagar aquele salário por que tinha aumentado significativamente à arrecadação, então não justifica as coisas que estão aí.

PA: Alguns dos secretários da sua gestão estão em governos do DEM em outros municípios, como Jailce Andrade que está em Simões Filho e dizem no meio político que foi um acordo feito pelo senhor, o que pensa sobre isso?

AD: Eu nem conheço o prefeito de Simões Filho, eu nunca sentei com esse pessoal, o povo fala demais. Pra se ter uma ideia eu encontrei o prefeito de Camaçari apenas em dois momentos em atividades públicas e é natural que aconteça isso, nesse governo você vai ver que tem pessoas de meu governo que trabalha no DEM Quem é Oto Alencar, por exemplo, estava o tempo todo com ACM e hoje está no governo do PT, não podemos taxar as pessoas por negociatas, até por que isso é reduzi-las, elas têm conhecimento. Teve gente que nem me apoiou e botaram na minha conta, como Antônio da Feira.

PA: O senhor hoje está sem partido e falam sobre uma possível candidatura a Deputado Estadual, já existiu o convite do governador?

AD: Ontem me parou um cidadão aqui na porta de casa e passou meia hora tentando me convencer a ser candidato a prefeito e que eu deveria voltar, e eu fui também aos Correios e demorei um tempo a mais do planejado por que a me paravam para conversar querendo saber se eu seria candidato, quer dizer, parece que é uma coisa que está no imaginário das pessoas, está na cultura, mas eu tinha um desejo de ser prefeito e fui, acho que já dei minha contribuição e a minha cota de sacrifício da minha vida pessoal, por que essa coisa do profissionalismo, de viver da política não é a minha praia.

PA: Com essa reforma política, o senhor volta para o PT?

AD: Não, não tenho interesse, por que no município o partido tem dono, tem coronel e eu não nasci para ser subordinado a ninguém.

PA: Quem é o dono do PT em Camaçari?

AD: Você não sabe? Então vou deixar essa pergunta no ar (risos).

PA: Sobre o atrito com o ex-prefeito Caetano, o senhor chorando pediu a imprensa no momento do rompimento que não perguntassem nada sobre isso por que existia uma amizade de 30 anos e que em algum momento poderiam ver os dois juntos novamente, ainda existe magoa?

AD: Veja bem, talvez eu seja o melhor adversário que existe, não tá no meu lado esqueça, e naquele momento não iria ‘esculhambar’ uma pessoa com quem convivi muito tempo, mas não aconteceu o inverso, e ele e sua turma colocaram as metralhadoras para me dizer o que queriam, as mais terríveis mentiras no plano pessoal, familiar e isso me deixou consciente que deva ser uma caminho sem volta, não pode ter volta, e por isso não volto ao PT e já que você queria saber, como ele (Caetano) é o dono do partido em Camaçari, o coronel que indica o presidente, o candidato a prefeito e por aí vai e a forma deselegante como ele, a ex mulher (deputada estadual Luiza Maia), a atual e a turma nos tratou deixou a gente sem condições de ter uma convivência civilizada, porque sempre tratei todos com muito respeito.

PA: Pela sua história na política, o governo tinha tudo para dar certo.... (foi interrompido com a resposta)

AD: Mas eu acho que deu, acho não, tenho convicção que deu, a população sente saudade.

PA: O governador em um evento aqui no município chamou a atenção de um grupo que vaiou o senhor quando citado, e Rui Costa te defendeu, o que o senhor acha dessa postura dele em falar que o tempo daria a resposta  sua gestão?

AD: Entendi que ele achou a vaia injusta, por que ele acompanhou as ações que fizemos no município, Minha Casa Minha vida, UPA’s e etc. Isso por que nosso governo tinha um saldo qualitativo e o que não concluímos deixamos encaminhados, muito em função a sabotagem, tem a questão do tempo, a burocracia e os 4 anos que vivi na crise financeira.

PA: O senhor acredita que o deputado federal Luiz Caetano, hoje está pagando algo do passado com esses processos que podem afasta-lo temporariamente da política?

AD: Infelizmente a nossa justiça tem coisas que eu não entendo, vimos uma presidente sofrer um impeachment sem culpa e um atual presidente com todas as culpas não ter sofrido um impeachment, quer dizer, estamos vivendo um momento muito delicado no Brasil do ponto de vista político, jurídico e é preciso ter uma definição mais claras das coisas antes de comentar.

PA: Sobre as realizações em sua gestão, qual seu balanço?

AD: Pegue a iluminação pública de Vila de Abrantes, por exemplo, o que era antes e agora, inclusive fazendo uma ligação com Jauá, e considerada pela COELBA como a melhor na Bahia, e infelizmente hoje nós lemos nos sites a situação critica que está. Um amigo da base participou em de uma reunião em Jauá e chegando lá perguntaram: “Quem asfaltou a Oceânica? Foi Ademar”, Quem asfaltou a Aquários? Foi Ademar”, “Quem fez as quadras poliesportivas? Foi Ademar”, ‘Quem asfaltou a Bela Vista toda? Foi Ademar”, “Quem fez a pracinha junto do posto? Foi Ademar”, “E quem fez a escuridão? (risos)”.

 

 

 

Por: Portal Abrantes

Mais em Política

Notificação de Nova Postagem
Imagem Operação apreende 7 mil fogos de artifício irregulares na Bahia