A vontade e a vigilância contam muito. Cada atitude individual e local reflete no conjunto. Temos que deixar essa mania de apreciar apenas o que as pessoas de outros países fazem e como fazem. Se for bom, vamos imitar e deixar de apenas apontar.
Enquanto eu tentava completar minhas palavras cruzadas antes de embarcar, dois casais iniciaram uma conversa sobre suas idas e vindas pelo mundo. Argentina, Chile, Istambul, Hong Kong, Madrid. Paris é final de semana obrigatório, pelo menos cinco vezes ao ano. Miami é ali, como se fosse o “shopping” mais próximo. Pelo volume da conversa era como se quisessem que todo o aeroporto ouvisse.
Depois de algum tempo, um dos senhores se dirigiu a moça que anunciava o voo. Não começou nem com um necessário “por favor” e terminou sem um obrigatório “muito obrigado”. A moça informara que seu portão de embarque ficara no piso superior. Após a informação virou-se mecanicamente como se tivesse falado a um poste. E se um poste falasse também mereceria uma cortesia.
Será que no “velho mundo” as pessoas tratam as outras dessa forma? São ríspidas e grosseiras? De que adianta ter visitado o mundo civilizado e não aprender nada?
No feriado da independência – que estamos aprendendo a esquecer até a data, fui visitar o museu Ricardo Brennand nas cercanias de Recife. Um acervo riquíssimo que todo mundo deve ver. Principalmente pra quem se interessa pela história das invasões holandesas. Um lugar bem cuidado e com a vigilância necessária para evitar os abusos de uma gente desconhecedora dos rigores europeus.
Pai e filho ainda estavam no jardim de acesso quando o filho pergunta se pode pisar na grama. A resposta do pai: “Claro que pode, estamos no Brasil.” Logo ouviu-se o apito do guarda. Não podia. Não pôde disfarçar seu embaraço. A casa estava cheia. Como dizia um velho conhecido: “Os adultos vêm das crianças e as crianças vêm dos adultos”. Cada um dá o que tem e aquele pai escolheu uma infeliz oportunidade para “educar” seu filho.
Seria educação sinônimo de riqueza? De posses? De escolaridade? De viagens pelo mundo? Mais pessoas estão viajando cada vez mais aos países cultos e educados mas quando voltam, continuam jogando seu lixo na rua e suas latinhas pela janela de seus carros esportivos. E mostram suas fotos fotos tiradas em Londres, Berlin, Nice e na parte mais limpa de Veneza.
Educar e educar-se é aprender e ensinar a perguntar a si mesmo a cada momento o valor de cada coisa. Nossa ou dos outros.





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