No final do ano passado, logo após as eleições, a população de Camaçari começou a entrar em uma onda de otimismo estimulada pela vitória de Antonio Elinaldo e José Eudoro Tude, mais ainda, pelas promessas de campanha dos novos dirigentes municipais. Tinha-se em vista um plano de governo inédito, com grandes investimentos em infraestrutura e serviços essenciais, desburocratização e acesso ás ações governamentais, promoção, motivação e valorização dos servidores, até então sem as condições mínimas de trabalho e com salários defasados a quase dois anos. A esperança invadiu os corações e mentes dos cidadãos que moram, trabalham e cuidam de suas famílias. Camaçari seria uma cidade mais atraente, agradável e satisfatória de viver depois do desastre da administração de Ademar Delgado.
Ao sentar-se no gabinete onde passaria a tomar decisões, Elinaldo passou a perceber o que todas as pessoas em frente à realidade descobrem: não é assim tão fácil executar ideias mirabolantes. Não por apenas serem um desejo, um sonho impossível, por diversos outros motivos, muitas delas acabam não sendo possíveis serem feitas.
Na política não basta ter boas intenções e ideias – não estou afirmando que Elinaldo tinha e tem boas ideias, não as conheço -. São fatores imprescindíveis para se atingir os objetivos, que as propostas de campanha estejam compatíveis com a complexidade administrativa municipal, sejam assimiladas e contem com comprometimento da equipe, assim como ter identidade com os interesses que passam a preponderar de natureza política e econômica.
Quando se reporta a este assunto de maneira pedagógica não se deslumbra o interesse em ser professoral, muito menos oferecer críticas irresponsáveis ou céticas. Não se pretende ser aquele que aponta quando o administrador fraqueja, ou onde aqueles que realizaram algo poderiam tê-lo feito melhor. É um sentimento de quem mora e convive com o dia-a-dia da cidade e procura entender, pelo menos, teoricamente as questões sociais e econômicas que diretamente influenciam a vida das pessoas, notadamente as mais necessitadas da oferta de serviços públicos.
O crédito pertence ao homem que se encontra na labuta diária querendo acertar. Cuja face manchada de poeira e suor; aquele que se esforça bravamente; que erra que se depara com um revés após o outro, pois não há esforço sem erros e falhas; aquele que se esforça para lograr suas ações, que conhece grande entusiasmo, grandes devoções, que se entrega a uma causa nobre; que, no melhor dos casos, conhece no fim o triunfo da realização grandiosa, e quem, que no pior dos casos, se falhar, ao menos falha ousando grandeza, para que seu lugar jamais seja com aquelas frias e tímidas almas que não conhecem vitória ou fracasso.
Os créditos pertencem aos praticantes, militantes da causa da justiça social que na proximidade com as comunidades buscam levantar e apontar as necessidades, mais ainda mobilizar-se para reivindicar, exigir que os poderes públicos constituídos não naveguem em direção contraria aos anseios populares.
O mérito é integralmente daqueles que confiaram e viram um cenário altamente incerto, da política local esfarelada e, mesmo assim, deram um passo adiante, decidiram se mover e tentar, novamente mudar o curso da história. Não esperaram que as nuvens se dissipassem para, então, se manifestarem mesmo estando evidente o substancial nível de risco.
Adelmo Borges.




Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar