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Camaçari

Dia dos Professores: projeto educacional transforma combate a bullying e cyberbullying em atitude prática na escola

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O projeto "Bullying e Cyberbullying: Educar para o Respeito" tem como objetivo conscientizar a comunidade escolar sobre a importância do respeito, da empatia e da convivência saudável tanto no ambiente presencial quanto no virtual. A iniciativa busca mostrar que o combate à violência vai além de não praticar agressões. Segundo a iniciativa, também é necessário não apoiar, não compartilhar e não permanecer em silêncio diante de situações de bullying e cyberbullying.

O bullying é definido como comportamento agressivo e repetitivo que causa sofrimento, medo ou humilhação. Entre as práticas estão apelidos ofensivos, insultos, ameaças, exclusão e agressões físicas. Já o cyberbullying ocorre por meio de tecnologias e ambientes digitais, como redes sociais, aplicativos de mensagens, realizados em dispositivos, como celulares e computadores. Inclui mensagens ofensivas, divulgação de boatos e exposição de imagens sem autorização.

 

Foi através das próprias vivências pessoais, sobretudo no ambiente escolar enquanto estudante, que a professora Edite Wilma Souza criou, há oito anos, o projeto e implantou no Centro Educacional Municipal de Camaçari (CEMC) – voltado para o Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ela alega que as próprias experiências a motivaram a combater a prática, que violenta as pessoas de uma forma geral.

 

“O projeto foi pensado para ensinar de forma lúdica, teórica e prática que determinadas atitudes ferem o outro e não podem ser consideradas como brincadeiras. Que precisamos conviver com as diferenças de forma respeitosa e sem ataques, pois posturas assim podem causar traumas por toda a vida. Isso não só presencialmente, mas também no ambiente virtual, através das redes sociais”.

 

Mais de 500 alunos do CEMC, tanto dos turnos diurnos quanto noturno, foram beneficiados com a iniciativa, que, de acordo com a professora, tem trazido êxito. “A mensagem, os ensinamentos que o projeto traz, tem promovido efeitos muito positivos. Os casos de bullying têm diminuído significativamente. Podemos considerar, neste ano, uma queda de 90% dos registros. Também envolvemos a família e a comunidade, e percebemos que os alunos se tornam agentes multiplicadores dos conhecimentos. O projeto é uma ferramenta social, não apenas pedagógica”, pontuou a educadora.

Desenvolvido com participação direta dos estudantes, o projeto transforma objetos do cotidiano em recursos pedagógicos. Os trabalhos produzidos pelos alunos se tornam instrumentos de reflexão sobre escolhas e consequências.

Entre os materiais está a Árvore do Bem e do Mal, que representa as escolhas diárias por meio de palavras e atitudes. No lado do bem, estão termos como respeito, amizade, solidariedade e empatia. Já no lado do mal, comportamentos que precisam ser combatidos, como ódio, preconceito, humilhação, agressão e discriminação. A proposta é mostrar que as relações humanas precisam ser cuidadas diariamente.

Outro trabalho é o painel de Palavras Positivas e Negativas. A atividade demonstra a força da palavra, que pode acolher ou machucar. Como exemplo, devem ser fortalecidos os termos, como respeitar, ajudar e incluir.

O projeto conta ainda com o Semáforo do Respeito, que, como recurso, utiliza as cores da sinaleira para ensinar os estudantes a refletirem antes de falar, agir ou postar conteúdos na internet. O verde indica atitudes que devem seguir, como respeito, diálogo e inclusão. Já o amarelo, representa o momento de atenção, com perguntas como "isso pode machucar alguém?" e "tenho autorização para compartilhar?". Enquanto o vermelho sinaliza atitudes que não devem ser praticadas, como humilhação, ameaça, xingamentos e exposição indevida. A regra ensinada é pensar nas consequências antes de agir.

A dimensão digital é trabalhada com produções que representam dispositivos, como televisão, computador, celular e os telefones inteligentes (smartwatch). Os objetos simbolizam espaços onde podem ocorrer tanto experiências positivas quanto situações de cyberbullying. As mensagens trabalhadas são de que, atrás de cada perfil, existe uma pessoa que merece respeito e que o uso da internet exige limites e responsabilidades, e podem ter consequências pelos atos cometidos.

As representações de redes sociais educativas abordam temas, como respeito à privacidade, responsabilidade ao compartilhar informações e não participação em grupos de humilhação.

Todos os trabalhos compõem o Cantinho de Conscientização sobre bullying e cyberbullying. O espaço reúne os materiais produzidos e representa o protagonismo dos alunos na construção de uma escola baseada no respeito e na cultura de paz.

 

Para Clara Conceição, 13 anos, aluna do 7º ano, o projeto é bastante proveitoso. “Eu sofri bullying em outra escola que estudei e foi muito ruim, porque me machucou, me senti muito triste e ninguém deveria passar por isso. Aqui, com o projeto, eu não vejo acontecer, aprendemos a respeitar os outros e é um conhecimento que levamos para a vida”, refletiu.

 

Taylor Menezes, 13 anos, do 8º ano, acredita que o projeto prepara para reconhecer e combater o bullying. “O comportamento dos colegas na escola está mudando para melhor. Aprendemos a identificar ações e falas, isso graças ao que aprendemos com a professora. É tudo muito bom e legal”, frisou.

 

Para além do resultado com os alunos, o projeto gerou como desdobramento o Protocolo de Intimidação Sistemática (Bullying) e Intimidação Virtual (Ciberbullying), sustentado na fundamentação legal através das leis federais n.º 13.185/2015, que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática; n.º 12.965/2014, que define responsabilidades sobre uso da internet e proteção contra abusos virtuais; n.º 8.069/1990, conhecido como Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante proteção integral contra qualquer tipo de violência; n.º 14.811/2024, que inclui na lista do Código Penal os crimes de bullying e cyberbullying como crimes hediondos; bem como diretrizes do Banco Nacional Comum Curricular (BNCC), que prevê desenvolvimento de competências socioemocionais e cultura de paz.

 

A coordenadora pedagógica do CEMC, Maria Célia Silva, explicou o que acontece ao tomar conhecimento das ocorrências na unidade escolar. “Identificamos a natureza, acionamos os familiares dos alunos envolvidos e tomamos as providências cabíveis. Por meio de todos os aparatos, os alunos compreendem que o bullying é crime”, pontuou.


 

Por: Dicom

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