O alimento que chega diariamente à mesa das famílias camaçarienses carrega muito mais do que qualidade e sabor. Ele é revestido de histórias de coragem, tradição e amor pela terra. Nesta terça-feira (28), Dia do Agricultor, a Prefeitura de Camaçari homenageia homens e mulheres que transformam o campo em fonte de sustento, desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
No município, a agricultura familiar ocupa um papel estratégico na geração de renda e no fortalecimento das comunidades rurais. Para ampliar esse potencial, a Secretaria de Desenvolvimento da Agricultura e Pesca (Sedap) mantém políticas públicas permanentes voltadas ao incentivo da produção dos 1.670 agricultores cadastrados junto à pasta.
"Dedicamos cada dia para fortalecer a vida dos agricultores da nossa cidade, sempre buscando que as políticas públicas para a agricultura familiar aconteçam em nosso município, com ações que vão desde a entrega de sementes e insumos, do início da produção, até a finalização, com as feiras itinerantes da agricultura, o cuidado com a infraestrutura trazendo barracas novas para a escoação da mercadoria”, detalha o titular da Sedap, Fabiano Dourado.
Entre as principais iniciativas da pasta estão a distribuição de mudas frutíferas, bem como de sementes e insumos agrícolas. Somente em março, foram entregues cerca de 92 toneladas de sementes de milho, feijão e amendoim.
“Existe ainda o incentivo à venda e a participação dos agricultores nos programas, nas atas públicas, como o PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar] e o Programa de Aquisição de Alimentos. Tudo isso, possibilitando a produção de mais de 200 toneladas de alimento por mês, mostrando a força do trabalho do homem e da mulher do campo de Camaçari", afirma o secretário.
Foi justamente nesse cenário de fortalecimento do campo que Rosinete Santos de Santana, 32 anos, encontrou a oportunidade de reconstruir a própria história. Moradora do povoado de Fazenda Cajazeiras do Visconde, em Barra do Pojuca, ela e o esposo, Gilsinaldo de Jesus, de 37 anos, decidiram abrir mão dos empregos formais para viver exclusivamente da agricultura familiar. Pais de Jade Vitória, 12 anos, e da pequena Safira Helena, 1 ano e 4 meses, fizeram da terra a principal fonte de renda da família.
Filha de agricultores, Rosinete cresceu acompanhando o trabalho no campo e percebeu que sua verdadeira realização estava nas próprias raízes. "Eu cresci vendo minha mãe plantar. Trabalhei fora, mas entendi que minha felicidade estava no campo. É maravilhoso acompanhar tudo crescer e saber que aquilo que a gente produz vai alimentar outras famílias", declara.
Atualmente, sua produção é composta principalmente por hortaliças folhosas, como alface e couve. Ela também destaca uma mudança significativa na relação entre o poder público e os agricultores. "Hoje a gente sente que existe acolhimento. Antes, praticamente não havia contato com os órgãos públicos. Agora somos ouvidos, temos acesso e percebemos que existe um trabalho voltado para quem vive da agricultura", afirma.
Também em Fazenda Cajazeiras do Visconde, a agricultora Rosilene Alves da Cunha, de 53 anos, encontrou em Camaçari um novo lar. Natural do Maranhão, ela vive há mais de 10 anos na zona rural do município. Na propriedade, frutas como laranja, limão, manga e morango compõem a produção, dividindo espaço com a criação de galinhas e um criatório de peixes.
"Meu marido se aposentou e a gente resolveu arrumar um cantinho para produzir, vender e comer mais saudável. Ser agricultora virou uma terapia", compartilha Rosinete, que também reconhece o trabalho desenvolvido pela Prefeitura de Camaçari junto às comunidades rurais.
"Estão sempre presentes, distribuindo sementes, adubos, alevinos e kits de proteção para a gente, além de manter as equipes em campo ouvindo nossas necessidades. É bom ver que temos quem se importa com a gente", assegura.
Na sede, na Agrovila Pinhão Manso, situada no bairro Santo Antônio III, a agricultura também floresceu como instrumento de transformação social e cultural na trajetória da chef de cozinha Solange Borges, de 63 anos. Agricultora desde 2014 e proprietária do restaurante Culinária de Terreiro, ela encontrou no cultivo um complemento natural da gastronomia que desenvolve. Hoje, ela cultiva banana, dendê, hibisco e outros insumos, além de manter uma pequena casa de farinha voltada ao consumo particular.
A inspiração surgiu ao perceber que muitos moradores da Agrovila precisavam sair para comprar ervas e temperos que poderiam ser produzidos nos próprios quintais. "Essa realidade despertou em mim a necessidade de nós mesmos plantarmos e colhermos", revela.
Voltando para a orla, na Fazenda Mucambo Riacho Doce, em Monte Gordo, a agricultura familiar ganhou contornos de empreendedorismo. Nascida em Guarulhos, criada em Minas Gerais e radicada na Bahia desde 1997, Fabiana Eça de Sá, de 46 anos, transformou um sonho em referência com a produção de ovos caipiras sob a marca Ovo Nosso Sítio.
Há cerca de seis anos dedicada integralmente ao campo, ela gera atualmente cinco empregos diretos e alcança uma renda produtiva superior a R$ 100 mil por mês. "A agricultura transforma vidas e nos ensina que toda colheita começa com um gesto de esperança. Produzir alimento é cuidar das pessoas, gerar emprego, movimentar a economia e deixar um legado para as próximas gerações. Camaçari tem um potencial extraordinário", disse.
Já na comunidade Quilombola de Cordoaria, o agricultor Florisvaldo Ferreira Gomes, conhecido carinhosamente como Seu Dadu, representa a união entre produção agrícola, ancestralidade e preservação cultural. Mestre griô, guardião da cultura quilombola e produtor agroecológico, ele herdou dos pais e dos avós o conhecimento sobre a terra e, aos 70 anos, continua cultivando frutas e verduras que garantem o sustento da família.
Para Seu Dadu, trabalhar no campo significa manter viva uma herança construída por gerações. "Viver da terra é a maior felicidade que existe. Cordoaria é uma universidade a céu aberto", diz.
Parte da produção é comercializada na Feirinha da Agricultura Familiar, realizada todas as quintas-feiras no estacionamento do Centro Administrativo de Camaçari, espaço que reúne agricultores locais e fortalece a comercialização direta de alimentos frescos, produtos agroecológicos e artesanato produzido nas comunidades rurais.
As histórias de Rosinete, Rosilene, Solange, Fabiana e Seu Dadu revelam o potencial de Camaçari para além da indústria. As diferentes trajetórias compartilham o mesmo propósito de contribuir diariamente para o desenvolvimento do município.
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