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Camaçari

“Não posso assumir o que não me foi entregue”, responde Cleber Alves a entrevista concedida por Ademar Lopes ao Portal

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Logo após o Portal Abrantes publicar uma entrevista com o Secretário de Relações Institucionais de Camaçari (Serin), Ademar Lopes, onde o gestor respondeu perguntas relacionadas a ausência de Cleber Alves em cargos de gestão no governo, nossa equipe buscou ouvir o outro lado da história. O ex-vereador não se posicionou contra a entrevista, falou dos acordos não cumpridos, além de opinar sobre a política local.

"O que me chama a atenção porque eu emano e pratico a minha carreira pública na frente das câmaras. Eu não faço jogo escondido atrás das câmaras. Minhas discussões todas são as claras, nominadas, declaradas a favor ou contra quem. Então, eu não sou homem de duas caras. Quando o secretário vem em praça pública no dia do aniversário de Abrantes me jogar contra a minha população, ele me agride. Não sei se foi uma infelicidade dele, não sei se de caso pensado, mas minhas respostas são todas praticadas e pensadas. Estou respondendo a ele como mentiroso, como a fala de quem mente. Dizer que eu não assumi o trabalho em Abrantes e que eu poderia estar gozando dos louros do que ele fez aqui. Eu não preciso gozar de louros do que Lopes tenha feito aqui ou em outro lugar, porque eu não conheça a história de realização de Lopes. Eu conheço a minha história de 56 anos de realizações. Agora, dizer que não assumi foi mentira dele, não posso assumir o que não me foi entregue. Eu não posso estar na frente do que não foi oficializado. Estou cumprindo o que o prefeito pediu: ‘aguarde que estamos resolvendo essa ou aquela situação de acordos feitos dentro da política’, afirmou.

Para Cleber Alves, a fala de Ademar Lopes mostrou que "ele não conhece Abrantes". "Porque Abrantes não precisa dele, é ele quem precisa de Abrantes para se promover, para tentar mudar um número, para tentar crescer. Agora, tente com Abrantes, mas não tente me fazer de besta, não tente me fazer de ingênuo ou de otário porque isso eu não sou. Então, fiquei realmente muito, muito chateado, porque a fala dele tenta colocar meu povo contra mim”, disse.

Mesmo tendo alcançado números positivos em Abrantes no último pleito eleitoral, Cleber pontuou que teve apenas cerca 40 dias de campanha, porque estava disputando a vice-prefeitura. “Fiz o meu trabalho, cumpri a minha tarefa, não há quem diga que eu não cumpri o meu acordo e agora espero que os acordos sejam cumpridos todos eles. Tá demorado, e eu vejo que na prática de entregar a secretaria que havia sido dita a mim, que a secretaria seria extinta e que ele estava interinamente assumindo a secretaria, não é verdade, porque ele vem fazendo jogo por traz da câmera, porque ele se sente prejudicado, porque recebeu a Serin, uma secretaria pequena e ele considera uma tarefa de ilusão. Então, ele quer, obviamente porque também acha que merece, uma secretaria setorial para justificar o trabalho dele, o merecimento dele. Agora vim na minha cidade falar contra mim eu não vou aceitar nem dele nem de ninguém", externou.

Questionado quais os acordos não foram cumpridos, Cleber afirmou que a subprefeitura da Orla. “Nós estamos até hoje aguardando porque foi um acordo tratado politicamente, com o Cleber político e o prefeito Caetano, antes da campanha, na minha casa por diversas vezes, na presença de minha mulher, na presença do próprio Lopes, e por algum motivo o prefeito ainda não pode cumprir isso. Obviamente que o resultado da eleição ajuda, porque eu não ganhei a eleição, mas a minha parte, o meu débito, o meu compromisso foram feitos. A quem diga que eu não cumpri a minha parte da campanha? A quem eu não cumpri a minha parte do apoio? A quem diga que não dei declarações? A quem diga que eu não rompi e vim apoiar? A quem diga que eu não coloquei seis mil votos no partido? A quem diga que eu não coloquei 1.300 votos na candidatura? Não há. Então, a parte de Cleber está cumprida. No mais, estou aguardando o líder Caetano. Eu não gostei da fala de Lopes, não me submeto às avaliações de Lopes. Eu sou um número em Camaçari. Lopes, para virar um número, vai ter que rebolar muito, ou talvez continue mentindo muito. Eu não minto”, ressaltou.

Sobre prazos para que os acordos sejam cumpridos, o ex-vereador disse que por enquanto está aguardando. “A vida é feita de prazo. Prazo da vida, prazo de viver, prazo para respirar, pra sobreviver, prazo para morrer, prazo para tudo. Eu tenho um acordo com o prefeito, e ele me explicou que espera uma aprovação da Câmara para botar a instituição da subprefeitura para funcionar e assim venho aguardando. Na minha parceria com Caetano a gente se dá super bem, e no dia que gente não se der bem ele cuida da vida dele, eu cuido da minha, e nada falar a dele, e nem ele a falar de mim, mas na política é assim, nós precisamos nos posicionar porque os nossos eleitores cobram, estão ali na marcação e a gente vive de dar satisfação pública, o homem público vive de dar satisfação”, exaltou.

Em relação ao rompimento com o grupo Elinaldo Araújo, Cleber disse que cumpriu o prazo determinado pela Justiça Eleitoral e que por isso não se considera um traidor. “Diferente de uns apoios que Caetano recebeu, que foram dentro do segundo turno. Eu usei o prazo a lei, me posicionei, entreguei o cargo. E se existe traição, eu fui traído primeiro. Isso seria a devolução da traição. Mas não foi. Foi uma questão onde eu realmente achei Caetano mais preparado para o momento. Eu tenho uma relação boa de alegria, de felicidade, de viver e comemorar com Caetano. A gente se relaciona muito bem. Eu, Cleber, decidi vir pelo merecimento de Caetano, pela história de vida, e porque aquele momento eu achava ele tecnicamente mais preparado para administração. Não tenho nenhum tipo de reclamação porque não me arrependo das coisas que faço. Eu me arrependo do que deixei de fazer”.

Cleber salientou ainda que também tem uma boa relação com o Elinaldo. “Ele fala comigo, me liga, meu compromisso com ele foi todo cumprido do ponto de vista de débito político de Cleber para com ele, porque o humano não se paga. Eu tenho um débito humano, a consideração, eu tenho um débito com ele emocional pela atenção no meu momento, porque o homem levanta e o homem cai. Cair é do homem, levantar e de Deus, e no momento do cair na saúde eu tive a grata satisfação de recebê-lo preocupado comigo, isso é um débito emocional. E observe que o débito deixou de ser com o Elinaldo, pois o candidato era Flávio. Respeito como homem, respeito como político. E se me perguntar: ‘Cleber você estava certo ou errado? Vi que eu estava certo, porque hoje eles estão brigando. Então eu me antecipei o erro, eu estava certo”.

Na oportunidade, Cleber ainda disse que não acredita na briga entre Elinaldo Araújo e Flávio Matos. “Olha, eu viajo na teoria da conspiração. Eles precisam criar duas lideranças para se unirem lá na frente e vim tentar tomar a prefeitura de volta. No meu excesso de maldade, acredito e acho assim. Se eles estão brigando de verdade, lá na frente vamos saber. Agora acho inteligente, se for o que estou pensando, porque duas grandes forças para brigar lá em 2028 é melhor do que uma. Estão dividindo para somar. Na política você tem que ir na teoria do exagero, onde as pessoas do senso comum não viajam na possibilidade. É aí que está o segredo da política”.

As pré-candidaturas que estão surgindo, tanto no grupo de situação, como de oposição, são positivas para Cleber Alves. “Independente de lado, você tem os mandatos que defendem o universo total, eu não me apego nesse negócio de lado A, vermelho, azul. Eu acho que as forças políticas colocadas aqui dentro, fortalecem o município como todo, independente do lado que você está. Inclusive eu estou discutindo com alguns partidos, quero até mandar um abraço aqui pra Geddel, tive a honra de ser convidado por ele. Quero mandar um abraço aqui pro pessoal do PL que falou comigo. Quero mandar um abraço para Otto Filho, para às pessoas que acreditam na possibilidade de uma candidatura minha, as pessoas que estão discutindo comigo e visualizando a possibilidade de nós fazermos um trabalho junto pleiteando uma vaga na Câmara para a Camaçari. Nós estamos projetando uma pré-campanha a deputado, discutindo qual o partido, se é estadual, ou e se é federal. Nós temos 100 mil participantes já na Orla, nossos filhos precisam disputar isso”.

Pra finalizar, Cleber Alves falou numericamente sobre sua contribuição para a conquista de Luíz Caetano como prefeito de Camaçari. “Não me julgue como arrogante e nem prepotente. Agora, eu elegi o prefeito Caetano. Eu provo numericamente. Chame o melhor especialista em Camaçari pra discutir comigo. Eu estava do lado de lá, trouxe Fábio Lima, trouxe Val Estilos, trouxe o Wilton, eu botei seis mil votos num partido, sai 38 dias candidato a vereador e tive 1.300 votos, e Caetano ganhou a eleição com mil votos de frente. Eu tenho seis mil votos, então vocês têm que me considerar matematicamente. Agora, o meio não faz isso para não me dar muita moral, muita força, mas eu não vivo disso. Eu vivo da consciência numérica. Eu sei o meu número, eu sei a minha importância e trabalho ela”, concluiu.

Link de matéria relacionada:

https://www.portalabrantes.com.br/noticia/45416-ademar-lopes-afirma-que-%E2%80%9Ca-um-equivoco-na-narrativa%E2%80%9D-que-cleber-alves-seria-o-secretario-da-orla

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