Vereador de segundo mandato em Camaçari, Jamessom (PL), foi reeleito no pleito deste ano com 1.938 votos, e desde 2020 que encampou em Camaçari um debate pela renovação na política na cidade, inclusive começando pela Câmara Municipal. Com discursos fortes e muitas vezes polêmicos, o parlamentar em entrevista ao Portal, falou dentre outras coisas, que seu grupo vai emplacar o presidente da Casa Legislativa em 1º de janeiro de 2025, que já foi procurado por vereadores eleitos do time vermelho e que não vai sentar em mesa de prefeito para negociar.
Sobre o “barulho” que fez na sua primeira campanha defendendo a renovação, Jamessom destacou que ser destemido é uma de suas características. “Na verdade, é da minha personalidade e que eu trouxe para o meu mandato, de ter posicionamento, de jamais ficar em cima do muro, sobretudo de ter lealdade aos meus princípios e a quem me trouxe aqui. Tenho meus amigos, o prefeito Elinaldo é um grande amigo, Hélder Almeida também, respeito muito a história de Tude, de todos que passaram por Camaçari, mas eu entendi que em 2020 era necessária uma renovação ampla, uma renovação que a sociedade pedia. Chegamos aqui, emplacamos o desejo da população, que era renovar os princípios, os valores, que a instituição precisa ter, reestruturar a Casa, e nós começamos esse processo, que foi muito bem sucedido”, exaltou.
Para Jamessom, a legislatura de 2020 foi a mais renovada e com perfis diferentes, que a Casa Legislativa já teve. “Essa Câmara trouxe um sabor especial, ingredientes diferentes que são os vereadores, com todo o respeito, e que vieram com muita vontade. Chegamos a montar uma bancada de renovação aqui na Câmara com sete vereadores. Essa atuação foi importante e consolidou a minha reeleição esse ano com quase o dobro da votação da eleição passada. Isso mostra que eu estava no caminho certo. E a perspectiva agora é de fazer uma oposição responsável, mas muito dura. Uma oposição que não vai negociar, que não há conversa, não há diálogo do ponto de vista de passar nenhum projeto que possa prejudicar a população. O que é benéfico para ajudar a cidade vai passar, não estou aqui para ajudar prefeito, vou ajudar Camaçari no que for preciso. Se precisar asfaltar rua vai ser aprovado. Se precisar construir um hospital será aprovado. Se precisar rodar ônibus elétricos e com ar-condicionado, como eles estão prometendo aí já em janeiro, vamos aprovar”, afirmou.
Questionado sobre a renovação da Câmara no pleito deste ano, para o parlamentar foi discreta. “Não houve aquele impacto, três vereadores não se candidataram, já que Flávio e Angélica foram candidatos a prefeito e vice, e Bispo Jair vai se aposentar. Então abriram três vagas e duas novas que foram criadas, cinco novos vereadores ocuparam essas vagas. E a gente percebe que o processo de renovação foi menor, muito por conta do trabalho que foi feito nos últimos quatro anos, o impacto foi menor para aqueles que fizeram a eleição. Naturalmente quem disputa a reeleição tem um desgaste. Aqueles que perderam a eleição, alguns não foram por conta de voto, apenas por conta da questão coeficiente eleitoral, o vereador Jorge Curvelo mesmo perdeu eleição com quase 2.300 votos, mais voto do que eu e muito mais votos do que outros vereadores. Ele foi o oitavo mais votado”, explicou.
Ainda no primeiro mandato Jamessom virou notícia ao recusar benefícios concedidos pela Câmara aos vereadores, o que para ele eram privilégios, justificando que era preciso reduzir os custos da Casa. “Nós tínhamos um compromisso com a sociedade naquele momento, era necessário efetivar isso. Mas principalmente, além dessa redução de custo, o mais importante foi o que nós emplacamos aqui, os projetos de lei, colocamos a pauta dos surdos em evidência, dos cegos, dos cadeirantes. Trouxemos acessibilidade para a Câmara, hoje o presidente conseguiu instalar o elevador, braile, um processo legislativo com mais discussões, sendo protagonista na cidade, porque durante muitos anos a Câmara ficou submissa e subestimada ao poder executivo nos últimos 70 anos”, destacou.
Jamessom afirma que os 14 vereadores de seu grupo têm um projeto de mudança para a Câmara e para Camaçari. “Queremos renovar a imagem da Casa, pautar a cidade, pautar o executivo, fiscalizar e ajudar a Câmara a entender a importância dos vendedores. Esse é o segundo passo do projeto de renovação. Tomar a Câmara de forma responsável, fazer uma oposição qualificada e essa estrutura aqui, é aquilo que faltava em Camaçari. Essa é uma estrutura que administra a cidade. Não é o prefeito que dá ordens. A Câmara não tem que se submeter ao prefeito. Chegou a hora de mostrar isso a cidade", disse.
Em relação a presidência da Câmara, o parlamentar confirmou que está também na disputa. “Meu nome está posto também, e eu não entro em eleição para perder. Eu só entro em eleição para vencer. Os 14 vereadores são candidatos, eu estou articulando pela união, não por um projeto pessoal de Jamessom, e sim pela união do grupo. Aquele que unir as condições necessárias, darei meu apoio, e isso é o suficiente. O que é colocado em relação à desconfiança de algumas pessoas, sobre rompimento em nosso grupo, é natural pelo histórico da cidade, porque é cultural nesse processo político. Infelizmente, a sociedade quer pagar para ver. E está certo, é o famoso Tomé, ver para crer, porque tem motivos para isso. No passado houve vários movimentos de articulações parecidos a esse, que foram frustrados no meio do caminho. Mas todos aqueles que, no meio do caminho, se entregaram e se prostituíram, onde estão hoje?”, perguntou.
Ainda de acordo com Jamessom, dois vereadores novos da situação o procuraram para pedir orientação. “Estiveram em minha casa no último final de semana, conversamos bastante, um deles inclusive está interessado no nosso projeto dos 14. Deixei claro que era complicado da forma como ele queria, pois queria ser governo e ser Câmara. Mas disse que tinha que fazer uma escolha, ou aqui ou lá, querer votar na gente e querer estar no governo, não tem como. Não vou dizer que falta maturidade política, mas sim experiência, e aí eu tive a cautela de auxiliar, de ajudar, pra não colocar em cilada, como alguns poderiam fazer. Disse a ele ‘se votar aqui, você é oposição, se você votar lá, você é governo’. Não pode servir a dois deuses. Isso mostra a confiança, inclusive, no meu poder de articulação e no nosso mandato”, mencionou.
Para finalizar a entrevista, Jamessom declarou que em primeiro de janeiro existe um acordo firmado entre os 14 vereadores para derrotar o PT e a velha política. “Vamos derrotar essa estrutura que foi montada, essa convergência que não deveria existir. As estruturas constitucionais entre os poderes executivo, legislativo e o judiciário devem ser independentes. Nós vamos seguir o que diz a lei e tornar a Câmara de verdade independente, porque nunca foi, vamos ser honestos. Aqui na Câmara, por exemplo, todos os vereadores apoiaram o prefeito Elinaldo, governo e oposição. Aliás, aqui na Câmara nunca houve oposição ao prefeito Elinaldo. Todos negociaram com o prefeito, sentaram na mesa com o prefeito durante os 8 anos. Todos, sem exceção. Todos são amigos do prefeito Elinaldo, inclusive alguns deles votaram nos candidatos do prefeito Elinaldo na eleição de 2022. Alguns foram ajudados agora nessa eleição de 2024, isso não está escondido, a sociedade viu, as pessoas viram. Então, essa independência a partir de agora se torna clara que não existia, que a Câmara não tinha autonomia, por conta das articulações que ela fez com a própria oposição. A oposição deveria se manter na posição dela. Eu serei oposição. Estou afirmando que não sento na mesa em nenhum prefeito, ou secretário, se quiser falar de Camaçari vai ter que vir aqui na nossa Casa”, finalizou.




Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar