O professor e nativo de Arembepe, João Dão (PSB), foi eleito vereador de Camaçari em 2024, com 1.511 votos. Após romper com o governo atual e se aliar ao grupo de oposição, ele conquistou uma cadeira no legislativo municipal, já tendo tentado sem sucesso em 2016 (576 votos) e 2020 (960).
“Primeiramente quero agradecer a Deus, que é o centro propulsor dessa caminhada. Quero agradecer a cada amigo, cada liderança, cada eleitor, cada simpatizante que ao longo dessa caminhada árdua de quartro anos, nós cultivamos, nos apoiaram e nos deram aí 1.515 votos de confiança, nos consagrando vereador de Camaçari. Pra quem não me conhece tenho 40 anos, sou esposo da senhora Tatiana Moraes, pai de Maria Cecília. Minha família é extremamente tradicional naquela comunidade [Arembepe], com algumas ramificações em Vila de Abrantes, Jauá, e na sede da cidade. Sou neto da famosa Tia Deja, inclusive a Praça dos Coqueiros dá a ela essa homenagem, pelos grandes feitos, principalmente no acolhimento, no abraçar, tantos os moradores, quanto os veranistas, os turistas. Também sou neto da saudosa Dona Baúta, que é um outro braço forte da minha família, com grandes ícones da comunidade, em especial Reginaldo Martins, Rivelino Martins, dois grandes incentivadores dessa minha militância, proativa, e de luta enquanto morador de Camaçari e de Arembepe”, contou.
Vendo desde os 14 anos o ambientalista Rivellino Martins defendendo o pertencimento, reflorestamento e lutando pela preservação do meio ambiente em Camaçari, levou João Dão a se interessar pela política. “Foi observando, vendo os exemplos, e angariando conhecimento que a gente se estabelece. E passaram-se 25 anos, e hoje a gente chega na cadeira de vereador, eu que sou professor de profissão, estou há 19 anos no magistério na rede municipal, trabalho nos Colégios Lídia Coelho Pinto e no Giltônia Pereira de Souza, na rede estadual trabalho no Colégio Polivalente na sede, então essa nossa luta em fazer com que os munícipes prosperem, é antiga. Eu observei muito o meu estudante na sala de aula, se ele tinha todas as suas necessidades atendidas para que ele pudesse aprender, e quando ele precisava do social, da saúde eu corria atrás. E assim, eu sentia a mesma solidão que a comunidade sentia, em perceber que faltava algo nas lideranças que saiam candidatas em Arembepe”, ressaltou.
A redução no número de vereadores da orla eleitos, foi pontuada por João Dão. “É uma responsabilidade muito grande você ser vereador, representar uma comunidade, que é exigente, que está cansada dos políticos que vem sempre com as mesmas ideias, as mesmas ditas propostas, porém sem resolução. Quem vai orientar o caminho que vamos seguir é a construção que coletiva. Então, hoje a gente tem um grupo que ocupa várias áreas sociais da cidade, que é muito forte na educação, na saúde, na agricultura, na pesca, na juventude, na cultura, no esporte, no meio ambiente, na causa animal. O nosso grupo é muito eclético, mas precisamos entrar de forma mais contundente nessas áreas prioritárias da cidade”, salientou.
Na oportunidade João Dão destacou como entende que a gestão municipal deve ser conduzida. “A gente vê a educação muito fragilizada, onde não tem a cultura e o esporte inseridos no contexto escolar. Nós temos muitas famílias em um grau de vulnerabilidade alto e isso também impacta na questão do avanço educacional. E o principal, é a questão da prosperidade, hoje nós temos muitas possibilidades em nossa cidade, só que a única consolidada é o Polo Industrial, que tem seus altos e baixos, que depende muito do cenário internacional. Vimos aí que em duas grandes exceções que tivemos recentemente, prejudicaram muito o Polo, e quando o Polo tem esse reflexo negativo, atinge toda a cidade. Mais recentemente com a saída da Ford, uma perda grande, e temos que pensar nossa cidade com outros vetores de crescimento. Vejo Abrantes como um grande know-how para as pessoas desenvolverem a parte de serviços, é um local especial da orla de Camaçari, onde você tem a prestação de serviços mais forte, e precisamos potencializar isso”, enfatizou.
Sobre como pretende direcionar o seu mandato, João Dão defende que a política deve ser feita através de um diálogo coletivo. “A nossa sociedade está clamando por políticos que tragam resolução. A gente tem problemas que são evidentes na cidade, de transporte, de infraestrutura, de saúde, mas o que a população mais quer é oportunidade, de fazer um bom curso, uma oportunidade de trabalho, de emprego. E isso tem que ser feito a partir de um trabalho muito bem feito pela gestão, capitaneado pelo prefeito, alicerçado pelo trabalho dos vereadores, para que a gente possa fazer com que os investimentos aconteçam na nossa cidade”, disse.
Ainda durante a entrevista, João Dão relembrou a ocasião em que o vereador Deni de Isqueiro (União), disse que ele foi ingrato com o prefeito Elinaldo Araújo. “A fala do vereador foi irresponsável, foi uma fala de uma pessoa ditadora, prepotente, ‘bostética’, onde disse que ‘ah, ganhei duas vezes pra ele, vou ganhar de novo, vou pedir música no Fantástico’. Daí faltou humildade, pé no chão. Porque cada eleição é uma construção, e ele em duas eleições teve um processo de construção melhor que o meu. Agora nessa eleição eu vim de um trabalho muito forte, mesmo ele com a máquina, nós chegamos próximo dele, teve mais voto que eu, mas eu ganhei a eleição, e se ele quiser eu vou dar uma sugestão de música, e sabe qual é? Chora não bebê”, ironizou.
Para concluir, João Dão ainda falou sobre os representantes de Vila de Abrantes reeleitos e que não obtiveram exito. “Dr. Samuka foi eleito vereador, teve a oportunidade de transformar Abrantes, foi vereador por quatro anos com o atual prefeito, e cadê o trabalho do vereador? Conseguiu a reeleição, beleza, parabéns meu colega, mas a população da Vila de Abrantes não reconhece o trabalho feito pelos vereadores, tanto é que Gilvan, Fafá, não foram reeleitos. E aí a gente vem com esse trabalho, mesmo sendo oposição, mas um trabalho próximo da comunidade, principalmente com o Projeto da Gratidão, onde a população reconheceu, em especial de Arembepe, e mesmo com o vereador de mandato de lá, nós tivemos mil votos, obtivemos mais de 500 votos por fora”, finalizou.
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