Uma estrela das redes sociais cujas selfies sensuais causavam polêmica no Paquistão, foi morta por seu irmão, em um suposto crime de honra. Qandeel Baloch, idolatrada por muitos jovens do país por sua coragem de quebrar tabus, mas condenada por conservadores, foi estrangulada perto da cidade de Multan, conforme a polícia. "Qandeel Baloch foi assassinada na sexta-feira, estrangulada por seu irmão. Aparentemente, tratou-se de um crime de honra", disse o oficial Sultan Azam.
Qandeel, cujo nome verdadeiro era Fauzia Azeem, havia viajado com a família para o vilarejo de Muzzafarabad, na província de Punjab, para o feriado do Eid. Ali.
"Minha filha era inocente, nós somos inocentes, queremos justiça. Por que minha filha foi morta? ", questionou o pai da jovem, Azeem Ahmad. A polícia registrou o caso como assassinato, contra o irmão da vítima, baseada em uma queixa por escrito de seu pai, em que ele acusa o filho de matar a irmã por motivo de honra, "porque queria que ela abandonasse o showbiz".
Muitas mulheres são mortas por motivo de honra anualmente no Paquistão. Os assassinos não costumam ser punidos, por causa de uma lei que permite à família da vítima perdoar o agressor, que costuma ser um parente. A cineasta Sharmeemn Obaid-Chinoy, cujo documentário sobre crimes de honra ganhou um Oscar este ano, classificou o assassinato de Qandeel como sintoma de uma "epidemia" de violência contra as mulheres no Paquistão.
Qandeel se tornou famosa no Paquistão em 2014, quando publicou um vídeo em que olhava para a câmera de forma sensual e perguntava como estava sua aparência.
Em entrevista ao principal jornal de língua inglesa do Paquistão, "Dawn", a jovem contou que foi obrigada a se casar aos 17 anos, com "um homem rude", com quem teve um filho e de quem acabou se divorciando. Ela falou repetidamente em deixar o país por temer por sua segurança. Segundo o jornal, seu pedido de proteção policial foi ignorado. Sharmeemn Obaid-Chinoy disse que o crime mostra que nenhuma mulher estará a salvo no Paquistão "até que comecemos a mandar para a cadeia os homens que as matam".




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