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Camaçari

Historiador Diego Copque parabeniza “Camaçari pelos seus 466 anos de fundação”

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 Itamar Pinheiro

Segundo pesquisas do historiador Diego Copque, que estão em seu livro “Do Joanes ao Jacuípe: uma história de muitas querelas, tensões e disputas locais”, Camaçari está celebrando nesta quinta-feira (29/05), 466 anos de fundação. Em suas redes sociais, o professor parabenizou o município que nasceu em 1558, a partir da criação de um aldeamento indígena, estabelecido pelos padres da Companhia de Jesus, João Gonçalves e Antônio Rodrigues, batizado de Espírito Santo, em alusão ao Dia de Pentecostes.

De acordo com Diego, o Aldeamento do Espírito Santo ficava localizado onde hoje é o bairro de Catu de Abrantes, nas margens do Rio Joanes, no distrito de Vila de Abrantes. “É importante ressaltar que, a palavra Catu, significa, bom, predileto, ou seja, o melhor lugar. A formação do território que hoje conhecemos como município de Camaçari se deu no início da colonização do Brasil no século XVI com a conquista das terras que pertenciam aos indígenas tupinambás. Os portugueses, após a dizimação das populações originárias ainda no século XVI, fundaram quatro aldeamentos indígenas no Recôncavo Norte e distribuiu algumas sesmarias”, contou.

O historiador destaca que os aldeamentos indígenas, além do Espirito Santos, ligados à formação do território de Camaçari, são: Santo Antônio Rembé em (1560), Santo Antônio da Ressaca da Barra do Jacuípe em (1560) e Bom Jesus de Tatuapara em (1561). “As terras que viriam a constituir o distrito-sede do município de Camaçari e o atual distrito de Abrantes, esta vetusta localidade que por séculos foi a sede administrativa da região, têm origem especificamente na doação de três datas de sesmarias. A primeira data de sesmaria refere-se a três léguas de terras em quadra doadas aos indígenas do Aldeamento do Espírito Santo, em 7 de setembro de 1562, sendo este ato a primeira demarcação de terras indígenas no Brasil. [...] A segunda sesmaria refere-se a duas léguas de terras em quadra que foram concedidas pela junta governativa do Brasil à época administrada pelo provedor-mor da Fazenda Cristóvão de Barros, que cedeu essa gleba para os padres da Companhia de Jesus no dia 8 de maio de 1590. [...] E finalmente a terceira sesmaria se refere à doação de três léguas de terras em quadra pelo governador geral Tomé de Souza em 29 de abril de 1552 para D. Antônio de Ataíde, primeiro Conde da Castanheira”, pontuou.

Diego Copque ressalta que em 1759 os jesuítas foram expulsos, sendo desapropriadas e comercializadas as terras que estavam arrendadas aos padres da Companhia. “Houve diversas articulações por colonos e posseiros para expropriação das terras dos indígenas da Vila de Abrantes o que veio a se concretizar no início do século XX. Desde os primeiros anos do processo de colonização, o município de Camaçari tem sua história ligada à história do Brasil, tendo como ponto de partida a fundação dos referidos aldeamentos indígenas, e na concessão das primeiras datas de sesmarias no Recôncavo Norte da Bahia. Hoje, Camaçari celebra 466 anos de fundação e de resistência dos povos indígenas e afro-brasileiros que majoritariamente representa a sua população”, concluiu.

Sobre Diego de Jesus Copque

Professor, historiador, pesquisador da história da Bahia, sócio efetivo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e autor dos livros Do Joanes ao Jacuípe: uma história de muitas querelas, tensões e disputas locais e A presença do Recôncavo Norte da Bahia na consolidação da Independência do Brasil. 

Mais informações pelo [email protected], (71) 99396-5422, ou no Instagram @diego_kopke.

 

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