O comandante da embarcação que naufragou e deixou 8 mortos em Madre de Deus, o pescador Fábio Freitas dos Santos, 51 anos, disse em entrevista ao site Alô Juca nesta quarta-feira (24/01), que ele e sua família estão recebendo ameaças de morte. O barco fazia a travessia na noite do último domingo (21/01), entre a Ilha Maria Guarda e o município,
Ao repórter Marcelo Castro, o pescador disse que ele tinha saído com seis pessoas de sua família para passear, deixou a filha e um neto em uma festa e quando retornou para buscá-los, um grupo invadiu o barco. “Eu pedi para saírem, eles não saíram, sentou todo mundo. Na minha conta tinha umas 13 pessoas. Pelejei pedindo para eles saírem, que aquilo não era um barco de transporte, que não era de passageiro, era um barco de família, que não fazia frente, e eles não me atenderam, não me ouviram”, explicou.
Segundo Fábio, como precisava retornar e todos já estavam sentados, ele decidiu seguir viagem, para evitar que mais pessoas entrassem no barco. “Quando chegou uns 200 metros (de viagem), eles formaram aquela briga [...], foram todos para um lado da embarcação que não aguentou o peso e virou. Quem pôde se salvar, se salvou. Quem tinha condição de mergulhar salvou outras pessoas, como meu filho que salvou o filho dele que estava preso no barco. Salvei minha ela [esposa] e coloquei dentro de outro barco. Minha filha eu mandei segurar no leme do barco por enquanto que eu ia dar um socorro, mas quando retornei não achei mais ela”, contou.
O pescador perdeu na tragédia a filha Flaviane Jesus dos Santos, 29 anos, e o neto Jonathan Miguel de Jesus Santos, 7 anos. “Depois que o barco virou, fui resgatada pelo meu marido e só acordei no hospital. Um desespero muito grande, horrível, uma tristeza muito grande de saber que morreram muitas pessoas. Meu marido perdeu a filha, que era minha enteada, meu neto e por pouco não me perdeu”, desabafou a esposa de Fábio.
Um dos homens que invadiu o barco teria ameaçado Fábio de morte, dizendo que mataria ainda esposa e filhos do pescador. “A autoridade policial não demonstrou interesse ontem de escutar Fábio na esperança da decretação de uma prisão preventiva, a qual ele requereu. A defesa já tinha entrado com habeas corpus preventivo e estamos aguardando o julgamento”, ressaltou o advogado do pescador, Dr. Helder.
O caso está sendo investigado pela 17º Delegacia Territorial (DT) de Madre de Deus.




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