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Camaçari

Vereador Gilvan se emociona ao comentar sobre os casos de agressão no Colégio Marquês de Abrantes e ressalta a importância do enfrentamento a violência

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Nos assuntos gerais da 21º Sessão Ordinário, realizada na manhã desta quinta-feira (01/06), na Câmara Municipal de Camaçari, o vereador Gilvan Souza (PSDB), usou a tribuna para comentar os casos de violência contra alunos, docentes e diretores, no Centro Educacional Marquês de Abrantes (CEMA), no primeiro semestre de 2023. Por meio de uma Carta Aberta, os educadores relataram as ocorrências, no sentido de cobrar do poder público municipal e das autoridades policiais, ações que garantam a segurança do corpo docente e dos estudantes.

O parlamentar destacou que dentre os quase 1.600 alunos matriculados do CEMA, a unidade atende estudantes com algum tipo de deficiência. “Dentro dessa patologia, vou fazer uma linha de corte para o aluno com deficiência intelectual mental. Aquele aluno, que normalmente no futuro, tem uma perspectiva de interdição, de não poder ser responsável por sua vida. Tendo a probabilidade de não ter uma carteira assinada, de não poder trabalhar, de não poder seguir sua vida digna, com direito de cidadão, que a todos pertence, por conta de uma patologia, e nós enquanto pais, [eu por exemplo, tenho o meu filho de 19 anos com síndrome de down e autismo], reunimos todo um esforço para que essa condição de vida, para essas pessoas, seja no mínimo com garantia de direitos. O direito de ir e vir, de estar em uma sala de aula regular de uma escola pública ou privada, e sendo respeitado. E enquanto nós discutimos isso em mesa permanente e inteligente, seja em uma Secretaria de Educação, de Saúde, ou Social, nós temos na escola ainda, situações de bulling, maus-tratos e as pancadas. Seja no emocional verbalizando, ou física”, destacou.

De acordo com Gilvan, o Colégio Marquês de Abrantes está “vivendo um campo de batalha”, que foi entregue a Secretaria de Educação. “Há um equivoco muito grande porque a escola não é pai, não é mãe, não é tia, tio, não é avó, é uma escola que tem um projeto pedagógico para ensinar e preparar as pessoas para a sua inclusão plena, principalmente para o mercado de trabalho. Os pais e as famílias precisam assumir suas obrigações na vida escolar de seus filhos. Não é admissível que se entre com armas nas escolas, com roupas inadequadas e que as pessoas maltratem as outras. E hoje temos pessoas com autismo dentro da sala de aula”. Nesse momento o vereador parou o discurso emocionado, ao falar do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Ainda chorando, o parlamentar disse que tem um filho com autismo e que “não imagina” ele sofrendo qualquer tipo de agressão. “Sem saber como deve se comportar, porque está apanhando, se deve corresponder aquela agressão, e as famílias desses alunos agressores simplesmente não se importam, não se envolvem, não participam da escola, e são convidados, mas não aparecem. E nossos filhos continuam sendo agredidos. Eu perdi nove gravidez, meu filho foi o décimo e veio com síndrome de down, com três anos diagnosticamos o autismo, mas eu queria um filho que fosse médico, advogado, um grande empresário, que herdasse o que vou deixar, para promover melhores condições para outras pessoas. E meu filho, é muito provável, que não será um médico, um advogado ou um grande empresário. Essa é uma realidade, e não é justo as famílias entenderem que eu queria esses filhos, e eles têm, mas não educam, não acompanham a vida, não fazem deles referências para toda uma sociedade. É preciso que os pais se comprometam com esse futuro que eles tanto cobram, mas dentro de suas casas não pregam dessa natureza”, exaltou.

Segundo o parlamentar, muitas vezes os casos de agressão são reflexos do que os estudantes vivenciam dentro de casa. “Não é justo criarmos nossos filhos, para dentro das escolas serem agredidos por outros colegas. É ponta pé em porta de banheiro, ameaça de morte. Se uma filha chega na escola com um traje não adequado e é orientada a voltar para casa, depois retorna com o pai, e a gente pensa que ele a conduz para um respeito ao espaço da escola, mas na verdade ele vem para agredir o vigilante, para dizer que a filha é dele e que ela anda como ele quiser. Mas a escola não é dele, não é a extensão de sua casa, é um espaço de ensinamento, de educar, de bom comportamento, de comprometimento com a sociedade, de crescimento pessoal e desenvolvimento profissional. Então não é justo ter professor, professora e gestor ter seu espaço escolar invadido por pai, irmão e aluna batendo em colega, em professora, em diretora. Não é justo termos na 26º delegacia, boletim de ocorrência porque aluno bateu em outro aluno, em professor dentro de sala de aula, enquanto estamos aqui discutindo políticas públicas para a melhoria de nossas escolas e de nossa cidade”, salientou.

Para finalizar o vereador disse que é necessário fazer esse enfrentamento. “As famílias precisam se comprometer, participar de reuniões de pais, assumir seus compromissos enquanto formação de cidadão. Nós estamos aqui sofrendo porque não tem intelectualidade para fazer essa defesa. Nós temos nossos filhos e tratamos como um anjo azul. O meu filho está protegido nesse momento, mas o filho com autismo, com deficiência, de cada mãe de Camaçari representa meu filho, e eu me sinto enquanto pai, porque essa é a política mais nobre de minha vida que eu trago aqui para a Câmara, e é isso que me faz permanecer nessa Casa. Aqui a qualidade de vida não é boa, aqui o salário não é bom, mas aqui a gente se realiza enquanto pessoa. É no espaço de poder que a gente melhora ou piora a vida das pessoas. E eu garanto a vocês que trabalho com o objetivo de melhorar. Estou solidário a todas as escolas de Camaçari, e nesse momento em especial, aos professores e alunos da Escola Marquês de Abrantes”, disse.

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