Em um Papo Aberto, Papo Reto com o vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde de Camaçari, Paulo Costa, o Portal abordou temas como o serviço ofertado a população, regulação municipal e estadual, avanços e gargalos. Para o conselheiro, muito se avançou, mas é preciso uma mudança de comportamento da população, da gestão e dos profissionais de saúde.
Na oportunidade, Paulo pontuou alguns avanços na rede municipal. “Em primeiro lugar é o prontuário eletrônico, estamos pertinho de finalizar 100% para acabar com papelzinho. O segundo avanço é o projeto Fila Zero, onde já foram realizadas mais de três mil cirurgias, ou seja, tiramos três mil pessoas da fila de cirurgias que não são de urgência e emergência. E em terceiro conseguimos agora um recorte maior do número de usuários que fazem hemodiálise. Não temos hoje nenhum paciente aguardando na fila, estamos zerados. E com fé em Deus, e o trabalho da Secretaria de Saúde, em breve [com a ampliação da Nefrovida], vamos conseguir trazer os pacientes que fazem hemodiálise em Salvador para o município, diminuindo o custo com transporte, alimentação, o tempo de espera e o desgaste com o deslocamento”, salientou.
Referente as regulações do estado e município, o vice-presidente fez algumas ressalvas. “O gargalo seríssimo é a questão partidária. Porque não vejo os municípios, com o mesmo alinhamento partidário do estado, com tanta dificuldade de regular para uma UTI, é algo sempre difícil, mas que não começou agora não, só piorou e muito com o tempo. Já no município, é uma frase que sempre digo ‘que a saúde é um saco sem fundo’, por mais que invista, vai ter sempre que comprar a mais. A população também tem que mudar seus hábitos, porque há 20 anos atrás tínhamos como senso comum que os exames eram para comprovar uma doença, hoje mudou a visão, as pessoas querem usar o exame para atestar saúde, para garantir que está bem e isso é uma cultura estranha e cara”, exaltou.
O Portal pontuou que recebe muitas reclamações e denúncias em relação as marcações, principalmente o agendamento para unidades distantes da residência do paciente. “A população tem que entender que quando esgota as vagas próximas, é marcado para onde tiver. E somos também pactuados com a Policlínica Regional, que é em Simões Filho, temos transporte, é um serviço de excelência, uma parceria com o estado, na verdade compramos uma cota. Então quem puder usar esse serviço, que use. E para melhorar essa situação estamos cobrando que seja colocado na guia o motivo da solicitação, e também a questão da prioridade, se é urgência ou não é. As vezes os médicos tem preguiça de colocar o nome do paciente”, mencionou.
Para Paulo, a rede de saúde de Camaçari é cara, por ter seis equipamentos de urgência, emergência e mais de 30 unidades básicas e de saúde da família. “Satisfeitos com o serviço ofertado nunca vamos estar, a gente sempre quer mais. Mas temos que entender com funciona o sistema, qual o limite que a gestão tem para gastar na saúde, porque cobrar é o nosso papel também e da pulação, mas temos que entender o limite constitucional. A saúde recebe menos que a educação, por exemplo, e temos que ser coerentes com o que já foi feito, o que é impudência ou má vontade de uma gestão”.





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