Nesta segunda-feira (24/04), na cidade de Sintra, em Portugal, o cantor, compositor e escritor Chico Buarque, recebeu o prêmio literário Camões, que ganhou em 2019. Durante o discurso de agradecimento, o homenageado citou o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Chico Buarque comentou o fato de ter demorado para receber a honraria. "Conforta-me lembrar que o ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu prêmio Camões, deixando espaço para a assinatura do nosso presidente Lula", disse o cantor.
O prêmio Camões foi instituído em 1988, pelos Governos de Portugal e do Brasil, com o objetivo de estreitar laços e principalmente reconhecer quem enriquece o patrimônio literário da língua portuguesa. O ex-presidente do Brasil teria se recusado a assinar a documentação necessária para o artista brasileiro receber o diploma.
O artista ainda fez outro desabafo. "Recebo esse prêmio menos como honraria pessoal e mais como desagravo a tantos autores e artistas humilhados e ofendidos nesses últimos anos de estupidez e obscurantismo", salientou.
Chico Buarque foi comparado a Bob Dylan, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2016, pelo presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Já o presidente Lula celebrou o momento. "Hoje, para mim, é uma satisfação corrigir um dos maiores absurdos cometidos contra a cultura brasileira nos últimos tempos. Digo isso porque esse prêmio deveria ter sido entregue em 2019 e não foi. Todos nós sabemos por quê", exaltou Lula.
Livros de Chico Buarque
"Fazenda Modelo", em 1974.
"Chapeuzinho Amarelo", em 1977
"Estorvo", em 1991.
"Benjamin", em 1995
"Budapeste", em 2003
"Leite derramado", em 2009
"Irmão Alemão", em 2014
Para o teatro, Chico escreveu as peças "Roda Viva" (1968); "Calabar" (1972); "Gota D’Água" (1974), e "Ópera do Malandro" (1978).




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