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Camaçari

Diretor do CEVA fala dos desafios nos 13 anos de gestão e sobre as expectativas para o novo prédio que está sendo construído

Em relação a sensação de insegurança, que vem assustando todas as escolas do país, por conta dos últimos casos de invasão e violência, o diretor pontuou que estão acontecendo reuniões na escola, além da elaboração de um documento entre os gestores da Região Metropolitana

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O Governo do Estado está construindo uma sede própria para o Colégio Estadual de Vila de Abrantes (CEVA), e a unidade, que hoje atende mais de 1.200 alunos nos três turnos, em um prédio cedido pela Prefeitura de Camaçari, vai ampliar o quantitativo de estudantes e atividades ofertadas. O Portal foi conversar com o diretor, José Adriano Souza, que há 13 anos trabalha na escola, para saber dos desafios já enfretados e as expectativas com o novo complexo educacional.

De acordo com o gestor, são anos de "dedicação, empenho, entusiasmo" investidos em uma escola que abrigava estudantes das series iniciais. “Ou seja, não era uma estrutura para alunos do ensino médio, mas em nenhum momento deixamos a 'peteca cair', e nem questionamos porque essa escola, e que essa não era a educação que sonhavámos. Parando agora e olhando para o passado, é uma história muito bonita que nós desenvolvemos, que criamos dentro da comunidade. E ficamos felizes quando vemos os resultados. Temos a professora Rosilda como exemplo, que foi aluna nossa da Educação Jovens e Adultos, ela já fez uma graduação e hoje está em uma pós graduação. E muitas vezes por estudarem a noite as pessoas acham que esses estudantes não tem nenhuma competência. Percebemos também que os estudantes que se formavam em 2010, não tinham nenhuma perspectiva, e hoje muitos estão em faculdades, em mestrados, até em pós-doutorados”, ressaltou.

Muitos foram os desafios ao longo dos anos, mas para o diretor, a pandemia tem prejudicado o emocional da comunidade escolar. “Já passamos por várias situações difíceis dentro da unidade, mas agora nesse período pós-pandemia, a gente está sentindo um impacto muito grande da sociedade, nas famílias. Muitos estudantes com problema de depressão, mutilação, a família totalmente ausente, tanto que na abertura do ano letivo minha fala foi nesse sentido, para que os pais estivessem presentes durante o ano todo. Usei como exemplo o fato deles ficarem em filas na madrugada toda atrás de uma vaga, e porque durante o ano não procuram a escola? A escola não é um local onde depositamos os filhos e acabou, é preciso acompanhar”, exaltou.

Para o professor José Adriano, é preciso que o poder público tenha mais sensibilidade em relação a essas questões emocionais, por isso a necessidade de outros profissionais dentro das unidades, além de educadores. “As escolas estão gritando por esses psicopedagogos, psicólogos, orientadores, já cansamos de fazer um papel que não é nosso, que não é da nossa competência, porque a coordenação faz esse trabalho, o gestor, o professor, mas chega um momento que nós nos sentimos incapazes, impotentes diante de uma situação dessa. Está assustador a questão dos nossos estudantes doentes, e nós professores e a gestão também, porque estamos com uma demanda muito grande, mas não temos apoio suficiente dentro da escola. É preciso que o poder público olhe para as escolas nesse sentido, porque estamos vivendo um novo momento”, clamou.

Além de turmas no matutino e vespertino, o CEVA oferta à noite as modalidades Tempo Juvenil, para estudantes de 15 há 17 anos, e o EJA, para alunos acima dos 18 anos. “Nesse momento não temos salas adequadas para comportar o nosso quantitativo de alunos, nem de climatização, algumas salas que tem ar-condicionado temos que dar manutenção constante. Alguns professores reclamam sobre a quantidade de alunos, porque segundo a Secretaria são 40 alunos, mas não tem como eu deixar cinco fora de sala. E mesmo com turmas de 45, ainda tem uma procura muito grande. Ainda tem a questão de estudantes que não estão frequentando e que não cancelam a matrícula. Inclusive estamos fazendo um levantamento, porque isso nos respalda, onde de acordo com a Portaria de Matrícula, aquele que não tem uma frequência durante os 20 primeiros dias letivos, a gente pode cancelar, e é o que estamos fazendo agora. Quem está com 100% de falta fazemos o cancelamento, depois vamos partir para os que estão com 80% de falta e assim sucessivamente. Além daqueles que estão fora de sala que ficam circulando pelo corredor. Enfrentamos ainda a dificuldade de manter contato com a família, porque as vezes o telefone não está atualizado na pasta do estudante. Então é preciso fazer um trabalho de corpo a corpo para estar minimizando toda essa situação”, explicou.

Em 2023 o colégio mudou os horários de distribuição da merenda e para isso ganhou mais profissionais de apoio. “Temos uma equipe boa e estamos oferecendo cinco refeições. À 9h30 tem o café da manhã e às 12h o almoço, antes deles irem para casa. Na tarde um lanche às 15h e uma janta antes da saída. Essa é uma proposta do Governo Federal, do presidente Lula, de estar fornecendo essa merenda, e algumas escolas em tempo integral já incorporaram desde o ano passado. Antes só tínhamos três merendeiras, mas graças a Deus a Secretaria de Educação do estado fez uma licitação, e foram enviadas para a nossa unidade escolar mais quatro merendeiras e ainda está previsto para chegar uma cozinheira, que vai preparar e as merendeiras vão distribuir os alimentos produzidos na escola, a partir de um cardápio preparado por uma nutricionista”, contou.

Sobre a sede do CEVA que está sendo construída, o diretor disse que será mais um desafio gerir a nova unidade que é bem maior. “Uma escola tamanho GG, que a gente vai ter que aumentar o quantitativo de funcionários por conta das 24 salas, todas climatizadas, um refeitório bastante amplo, um auditório, duas quadras poliesportivas, uma arena de luta e uma piscina. Logo no início do ano letivo fizemos uma visita a obra e fomos recebidos pela equipe da Conder, que deixou claro que para esse bloco, não teria uma estrutura por exemplo, de secretaria, uma guarita, estacionamento, um laboratório, salas dos professores, então isso gerou uma certa preocupação em relação a esse espaço que será incorporado. O município já cedeu esse prédio por 30 anos, e já utilizamos 13 deles, mas acreditamos que será feito um acordo ou algo do tipo”.

Em relação a sensação de insegurança, que vem assustando todas as escolas do país, por conta dos últimos casos de invasão e violência, o diretor pontuou que estão acontecendo reuniões na escola, além da elaboração de um documento entre os gestores da Região Metropolitana. “É uma carta aberta a ser encaminhada para o fórum dos gestores, para que seja enviada para a Secretaria da Educação do estado e também outros setores, com relação a essa situação de vulnerabilidade, da falta de segurança que nós estamos enfrentando. Todos esses casos foram uma 'gota d’água no copo'. A gente está se mobilizando em relação a essas questões, é uma orientação que estamos tendo do próprio Núcleo Regional de Educação, para que a gente registre essas ocorrências”, enfatizou.

 

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