Através das redes sociais, o Babalorixá João Borges, morador de Camaçari, acusou um motorista de aplicativo de intolerância religiosa. O caso teria acontecido na última segunda-feira (27/03), por volta das 18h50, quando o pai de santo levava o filho para a casa da mãe, no bairro Burissatuba.
Em seu relato, João Borges contou que ele e o filho Joaquim, recém iniciado no Candomblé, estavam vestidos de branco, com contas no pescoço, carregando um balde e uma esteira. Ao entrar no veículo, percebeu o olhar diferente do motorista. “O senhor Leandro iniciou uma série de tratamentos hostis, nos lançando um olhar de reprovação. Solicitei que por favor, o mesmo abrisse a mala para colocar os objetos, coloquei a esteira na mala e o balde foi ao lado de Joaquim. Sentei no banco do carona e como eu estava com muita dor de cabeça, solicitei ao motorista que por gentileza abaixasse o som, o mesmo simulou que tinha baixado, mas não o fez”.
Após fazer novamente o pedido, o motorista teria se negado a baixar o volume do louvor que escutava, com argumento de que “não se curvava”, segundo o Babalorixá. “Ele disse que ouviria o louvor e como continuei reclamando, o mesmo parou o carro e mandou que eu descesse. Desci do carro, pedi que a mala e quando estava retirando a esteira, ele desceu do carro e tentou me intimidar, projetando seu corpo sobre mim, com postura intimidadora, colocando a mão na cintura, com intenção de demonstrar um possível porte de arma, o que causou mais pavor em meu filho”, salientou.
De acordo com João Borges, seu filho de apenas 12 anos, necessita de cuidados especiais de saúde. “Por tudo que presenciou ele ficou muito amedrontado, peguei na mão de Joaquim e fui seguir para casa. Antes de entrar no carro, ele [o motorista] gritou ‘vou te pegar’. Como meu filho ficou apavorado, pela sua atitude agressiva, na medida que o mesmo poderia estar armado, continuei seguindo quando o mesmo repetiu que iria me pegar, foi quando retornei”.
O retorno para enfrentar o motorista foi gravado pelo próprio João borges com o celular. Nas imagens é possível ver que os dois estão exaltados. “Intolerância é crime, eu sou um cidadão de bem”, disse João, Já o motorista justificou que não quis baixar o louvor e que o Babalorixá era “ousado”.
O Portal entrou em contato com João Borges que mencionou ter feito um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia Virtual, que será encaminhado para a 18º Delegacia Territorial (DT) de Camaçari, unidade responsável pela apuração do caso.
Estamos a disposição para ouvir o motorista de aplicativo, caso tenha interesse em dar sua versão dos fatos.





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