Ator, diretor e cineasta e dono de tantos outros talentos, Ivanildo Antônio, sempre inquieto e buscando ações que visem não apenas entender o sofrimento humano, mas também ajudar no processo de cura, está trazendo para Camaçari, para a Bahia, o Brasil, para fora do país, o projeto Meu Amigo Voltou para Casa. A iniciativa faz parte do conceituado Teatro da Solidão Solidária, que está prestes a completar 25 anos de existência, fruto de uma pesquisa feita por 10 anos no Brasil, sobre a solidão humana, e ampliada pelo ex-secretário de Cultura do município, na Europa e nos Estados Unidos, por mais 10 anos.
Em entrevista ao portal, Ivanildo Antônio disse que o projeto visa acolher. “O Meu Irmão Voltou para Casa é muito potente, muito poderoso, e o poder desse projeto está na sua simplicidade, onde grupos espalhados pelo mundo, na Europa, África, Estados Unidos, Japão, e aqui no Brasil em cidades importantes de quase todas as capitais, vão se reunir entre 5 a 10 amigos artistas e não artistas, para uma ceia de Natal, que será no dia 20 de dezembro, onde vão celebrar a vida através dessa ceia e o diferencial é que essas pessoas, aqui no Brasil, estão acolhendo nesse dia uma pessoa em situação de rua, seja um homem, uma mulher, uma criança, e na Europa e nos Estados Unidos um imigrante ou um refugiado”.
Ivanildo conta como vai funcionar esse momento de acolhimento. “A primeira vista as pessoas acham que é para dar esmola, roupas, comida, enfim, também isso se a pessoa precisar e se o grupo puder ajudar nesse sentido, mas é sobre tudo acolher com um abraço, um eu te amo, um pode contar comigo, porque nesse momento enquanto estamos aqui nessa entrevista e celebrando a vida, uma pessoa decidiu morrer, uma pessoa decidiu tirar a própria vida porque não aguenta mais tanto sofrimento, não aguenta mais se sentir sozinha, acorda e não tem ninguém para dizer conte comigo, você é importante”.
E a escolha do nome “Meu Irmão Voltou para Casa” foi a partir do desenvolvimento das várias histórias que chegaram até Ivanildo Antônio. “Em Belo Horizonte tem o caso um senhor de 74 anos, que o desejo dele ela rever a família, uma parte da tinha morrido, pai, mãe e filho, mas tinha dois irmãos que ele queria rever que moravam aqui na Bahia. Passavam os anos e ele não tinha coragem de voltar com vergonha, mas chegou um momento que ele achou que estava perto de partir e nós fizemos uma campanha, entramos em contato com rádios e jornais da região, e encontramos os irmãos e ele voltou pra casa. Então o Voltar Para Casa não significa só voltar para onde você nasceu, as vezes é voltar para você mesmo, porque as vezes você se perdeu e não consegue mais se achar. Não nos importamos com a história de cada um, em como a pessoa chegou aquele lugar, a cura é de cada um, somos apenas mediadores desse processo”.
Na entrevista estava também o Mestre Grandão, que junto com o Grupo Engenho de Vila de Abrantes, sempre esteve presente em ações do Teatro Solidão Solidária e agora ganhou uma coordenação dentro do projeto. “Pela sua esfera não da importância da capoeira, que por si só já é gigante, mas pela esfera que ele consegue se estabelecer nas relações internacionais. Então hoje somos uma ponte entre um e o outro, onde o Teatro da Solidão Solidária está, o Grupo Engenho está, e onde o Grupo Engenho está, o Teatro da Solidão Solidária é esse irmão dessas lutas que estabelecemos no planeta”, explicou Ivanildo Antônio.
Para Mestre Grandão foi uma honra o convite, além dele pontuar que conseguiu ver uma ligação muito forte entre o Teatro da Solidão Solidária e todo o trabalho que já desenvolve em sua comunidade, com o Grupo Engenho. “Já temos uma ação no dia 20 de dezembro que vai fortalecer muito o Meu Irmão Voltou para Casa, como essa parceria com o Ivanildo que é muito grande, e por já fazer as vezes sem perceber com a capoeira, que é nosso carro chefe, essa coisa de entender o ser humano”, ressaltou.
Há 30 anos desenvolvendo um trabalho voltado para capoeira no distrito, o Grupo Engenho já exportou importantes lideranças para outros países e a ideia é envolver essas pessoas no projeto. “Eu acho fantástico Ivanildo pensar na gente, pensar em Vila de Abrantes, pensar em levar um braço desse teatro internacional para Abrantes, e eu fico muito feliz e espero que a comunidade abrace, para que a gente continue a fortalecendo não só o teatro, mas como também a população de Abrantes”, finalizou Mestre Grandão.





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