Camaçari está há poucos dias de completar 264 anos, e uma das pessoas que mais conhece a história de fundação do município, é Odilon Montenegro, que faz parte da família Montenegro, responsável por decisões políticas importante que mudaram a história de Vila de Abrantes. Em um Papo Aberto, Papo Reto, ele explicou como está o estudo de viabilidade econômica sobre a possibilidade de emancipação do distrito.
Odilon, que já foi diretor de fundação DECOM, secretário de governo e de planejamento, vereador e vice-prefeito de Camaçari, destaca que se elegeu parlamentar em 1982, exatamente com o compromisso de lutar pela emancipação de Abrantes. “Em 1983 quando assumi, já comecei com esse movimento. O prefeito nomeado na época era Humberto Henrique Garcia Ellery, e junto com Eloíldo, seu Dinho, finado Epitácio e outras tantas pessoas que agora não me lembro, iniciamos esse processo. Avançamos, depois teve um retrocesso, estagnou, mas chegamos inclusive a ter aprovado e autorizado na Assembleia o plebiscito, e nós conseguimos também recursos para que o Tribunal Regional Eleitoral fizesse o plebiscito, mas não tivemos êxito porque o governador da época, o velho ACM, não permitiu o desmembramento e a desculpa que o TRE arranjou foi que o dinheiro era de particulares, que não tinha origem pública e que por isso não poderia”, explicou.
Com a emancipação dos municípios de Dias d’Ávila e Eduardo Magalhães, o assunto voltou à tona. “Não desistimos, eu descansava, aí tinha outro grupo que tentava, e hoje esse processo está bem avançando, utilizando inclusive informações do passado, e agora estamos em outro patamar, por exemplo, daqui alguns dias nós já teremos concluído o estudo de viabilidade econômica, social, fiscal e territorial do distrito de Abrantes. Os mapas já estão prontos, todo delimitado, e agora estamos aguardado o resultado se economicamente é viável. Se emancipada, Abrantes terá em média 155 mil quilômetros quadrados de área, começando no Rio Joanes até o Rio Jacuípe, subindo o Rio Joanes até o Riacho Sapucaí, do sol nascente em linha reta até o Rio Capivara Grande, seguindo até o marco do Polo que é depois da Cetrel pelo Capivara Pequeno, descendo o Rio Jacuípe, chegando ao Oceano Atlântico. Aquela região de Coqueiro de Arembepe, Piabas, tudo pertence a Abrantes. Se olharmos hoje o distrito temos um crescimento populacional absurdo, acelerou muito porque aqui está tendo muitos empreendimentos, ainda de forma desordenada porque o município de Camaçari, e estou falando na passagem de todos os prefeitos, inclusive de Tude quando fui vice-prefeito, ninguém nunca se preocupou em realmente fazer um Plano Diretor diferenciado, por exemplo, o distrito de Abrantes tem uma característica completamente diferente de Monte Gordo, assim como eles tem uma característica diferente do distrito sede”, pontuou.
Sobre sua avaliação em relação aos perfis financeiros de Camaçari sede e Vila de Abrantes, Odilon ressalta que uma é industrial e a outra turística. “Camaçari tem muito mais serviços e Polo, aqui temos comércio, serviços, agricultura, indústria e temos o turismo, que é uma indústria não poluente, ótima para gerar empregos, gerar renda, e que infelizmente não é usada dessa forma, e isso está gerando especulação imobiliária, gerando invasões, e isso impossibilita a gente de fazer um estudo mais aprimorado, e delimitar áreas e locais onde deve haver cada tipo de investimento, e isso só através de um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano. O PDDU tem que ser um instrumento de crescimento econômico social e político da localidade, e as políticas precisam ser bem delimitadas, 'aqui deve ser feita atividade residencial, aqui área de serviços, aqui comércio, aqui área agrícola', tudo isso precisa ser definido, para que o empreendedor, o empresário saiba que ele está investindo em uma coisa que está devidamente dentro de um contexto de um Plano Diretor de um município, e infelizmente não temos isso, essa que é a verdade”.
Na oportunidade Odilon falou sobre a participação de sua família na transição do distrito sede para Camaçari. “Abrantes que foi município a partir de 1758, cuja a área do distrito de Abrantes, que era distrito sede pegava a cidade de Camaçari e Parafuso, e só tinha além disso o distrito de Monte Gordo, em 1920 se criou o distrito de Camaçari, cuja a área é onde hoje é a sede, desmembrado do distrito maior que é Abrantes, pertencente ao município de Abrantes. Quem é mais novo é Camaçari, não é Abrantes que hoje é distrito, que já era antes de Camaçari, com interferência de minha família eu não vou negar, os Montenegros. Mas qual era a ideia, a sede ir pra lá por causa do progresso através da linha férrea que era um vetor de desenvolvimento a nível de Bahia, então, em 1925 passou a se chamar Montenegro, e em 1938 veio se chamar Camaçari”.
Odilon defende que a emancipação de Abrantes é um resgate do direito de seus moradores. “Queremos nosso distrito independente de Camaçari, porque nós não convivemos com Camaçari, nem comercialmente, nem politicamente, nem socialmente, nem em termo de transporte, em nada. Nós usamos mais Lauro de Freitas que está a três quilômetros da gente, que a cidade de Camaçari que está a 16 quilômetros. Na verdade, temos duas Camaçari, a sede e a orla, que infelizmente não se comunicam. A mãe rica de Abrantes [que é Camaçari] na verdade é uma madrasta para todos os distritos, sempre foi, para Abrantes mais ainda. Monte Gordo ainda teve umas melhoras porque foi projetada depois, mas para Abrantes é muito pouco o que nos dão, só lembram da gente como no último domingo [18 de setembro] quando vieram fazer uma festa que achei um absurdo, porque a lei que criou o dia de Abrantes disse que no domingo que antecede o dia 28, ou seja, seria dia 25, é que deveria ter o desfile aqui, e mudaram para o dia 18 não sei nem porquê. E o desfile que deveria ser uma coisa muito mais cívica, virou política”.
O Portal pontuou os investimentos realizados pela atual gestão no distrito e para Odilon o prefeito Elinaldo Araújo está sendo diferente dos outros gestores que já passaram. “Quando nada foi o único prefeito que recebeu a Comissão de Emancipação, e nos ajuda a fazer com que aja o processo normal. Ele disse ‘vamos fazer o estudo de viabilidade econômica do distrito, se for viável e o povo quiser, não sou eu Elinaldo prefeito que vou ser contra’, então de todos, ele foi o único que abriu as portas do poder público municipal para receber essas pessoas que lutam pela emancipação. Dias d’Ávila se emancipou com menos condições que Abrantes. A Assembleia Legislativa precisa receber o documento de viabilidade, precisa estudar e aprovar. Aprovando aí segue o processo de delimitação, e de autorização para que aconteça o plebiscito. Até porque quando transferiram o direto da Assembleia de emancipar distritos para o Congresso, esqueceram de uma coisa que foi normatizar. Eles criaram a lei, foi para a Câmara dos Deputados e Senados, mas não normatizaram. É o chamado Norma de Lei Complementar, com isso alguns estados como o Pará conseguiram na justiça o direito de emancipar, porque já que o federal não fez, o estado fará”.
Há pouco mais de uma semana das eleições, Odilon disse que deixou claro para a Comissão que está apoiando candidatos que se comprometeram com o processo de emancipação de Abrantes. “Cabe a cada um fazer o mesmo, quem quiser emancipar Abrantes que leve esse pleito para quem vai estar delegando o seu voto, porque ele que vai representá-lo na Assembleia e no Congresso Nacional. Não queremos discutir ainda detalhes com a comunidade porque precisamos de muitos dados em mãos, só quando tivermos possibilidade de explicarmos para a comunidade se tem condições ou não de emancipar, eu sei que tem, mas muita gente quer ver os documentos que comprovam”, finalizou.





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