Projeto Mix Dance de Vila de Abrantes realiza evento para comemorar o São João e aproveita para pedir apoio

 

São 17 anos de história e milhares de crianças atendidas. O projeto Mix Dance de Vila de Abrantes tem mudado a vida de muitos pequenos do distrito, através da dança, da educação e do trabalho social, sem nenhum apoio do poder público ou da iniciativa privada.

O fundador do Mix Dance, Davi Argolo conta que o projeto surgiu ao perceber o anseio de jovens ociosos de Abrantes. “Observava que o distrito era carente de aditividades sócios-culturais, principalmente voltadas para crianças e adolescentes, e quando comecei junto com outros colegas, inspirados na saudosa Iuta, professora de dança do Marques de Abrantes, de lá pra cá nos tornamos não apenas um grupo de dança, mas um projeto social que trabalha com dança”.

Com data de fundação em 17 de agosto de 2005, na Escola Municipal Eliza Dias de Azevedo, o nome do projeto era Grupo de Dança Eliza Dias, mas com o crescimento, a inciativa se expandiu. “Logo no início tínhamos parceria com escolas públicas e privadas, a Creche Esperança de Estiva, em alguns momentos os pais cediam as casas para a gente ensaiar, e como o pouco pra Deus é muito, já realizamos vários festivais de cachorro quente, feijoadas solidárias, diversos eventos para angariar fundos porque as vezes essas crianças não tem nem o que comer em casa, atendemos várias crianças em vulnerabilidade social”, explicou Davi.

Conhecido também como a “Carreta da Alegria”, o projeto atende crianças de 6 há 12 anos moradoras do distrito. “As coreografas são ex-alunas, trabalhamos com uma metodologia pedagógica, com interpretação de letras de músicas, não trabalhamos com qualquer canção. As regras básicas do grupo é que somos kids, trabalhamos desde o penteado aos figurinos, lembrando sempre que elas são crianças, de forma lúdica para que primeiro elas trabalhem a autoestima, para que se aceitem do jeitinho que elas são, com suas individualidades, mas que dentro do coletivo elas são peças de uma engrenagem para que o sucesso do grupo, e que ela se sinta importante nesse meio”, ressaltou Davi.

O projeto que acontece aos sábados das 13h às 17h, em um espaço cedido pela Escola Marquês de Abrantes, trabalha em parceria com a escola e a família. “Não adianta ser dez na dança e não ser dez na escola, dez em casa. Temos três colaboradoras voluntárias, eu sou o quarto, o mantenedor, mas eu tenho meu emprego e não posso ceder mais tempo. Se tivéssemos um espaço fixo, e também auxilio para que a gente pudesse remunerar, dar uma ajuda de custo para as voluntárias, com certeza o projeto iria crescer ainda mais e atender mais crianças”, disse.

Atualmente o Mix Dance tem 56 crianças inscritas, onde 45 são assíduas, uma delas é a filha de Michele Leoni, que exalta a importância do projeto para o crescimento da filha. ¨" Matriculei tentando desenvolver seu lado artístico e ao mesmo tempo desinibi-la, porque ela tem um perfil meio tímida, coloquei sem pretensão, mas deu muito certo, aqui é um projeto que envolve muitas questões, não é só vir para cá e dançar, tem uma metodologia fantástica no sentido de não só mexer o esqueleto, mas tem todo uma teoria, elas mostram o início, meio e fim, trabalha com a questão da responsabilidade, de seguir regras, de ter uma rotina”.

Mesma opinião da mãe da mascote do projeto, a senhora Joseane Ramos. "Tenho muita gratidão pelo projeto, Davi realiza um excelente trabalho. Minha filha é a mais nova, com apenas seis anos e sempre me diz 'mãe eu estou muito feliz', não para de dançar, e isso me deixa muito realizada. Esse projeto é muito importante, principalmente para as crianças carentes".

Mesmo com todo resultado positivo e história de quase duas décadas, o projeto ainda não conta com uma sede própria e nem com o apoio. “Hoje temos apenas 10 unidades de figurinos onde divido por grupo as apresentações, em dias diferentes, para que as crianças reversem as roupas”, finaliza Davi.

   

   

   

       

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