Sessão em homenagem ao Dia dos Povos Indígenas na Câmara de Camaçari é marcada por reivindicações

 

A ausência da maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Camaçari durante a Sessão Especial em homenagem ao Dia dos Povos Indígenas, levou aos índios presentes a chamarem a atenção dos parlamentares. Alguns edis chegaram a participar da abertura dos trabalhos, mas deixaram o plenário antes das falas dos palestrantes.

Após a palestra do historiador Diego Copque sobre Camaçari como território indígena, foi a vez da fala dos indíos representantes da Aldeia Tupinambá localizada no distrito de Vila de Abrantes. “O nosso povo é tão excluído que os vereadores foram embora, eu estava contando e fiquei triste, de 21 cadeiras só ficaram sete vereadores. Eu achando que hoje eles estariam aqui para ouvir as demandas do povo indígena de Camaçari, esse município que tem um nome forte, Camassary a árvore que chora e os governantes não estão nem aí”, desabafou a Cacique da Aldeia Tupinambá, Renata Fernandes, que pediu aos parlamentares que ficaram para que intermediassem uma reunião entre sua tribo e o prefeito Elinaldo Araújo.

Ao assumir a tribuna, a liderança jovem do Povo Tupinambá de Abrantes, o estudante de fisioterapia Thiago Tupinambá, iniciou a fala chamando a atenção para a ausência dos vereadores representantes de Abrantes, pontuando em seguida a necessidade dos jovens indígenas. “A juventude está forte, todos dentro da aldeia estudam, todo mundo precisa de internet, energia e água. Temos que fazer um corre danado para estudar, ou seja, estamos estudando para demarcar todos os espaços, e mesmo trabalhando bastante é cansativo porque ninguém quer ouvir a gente, e viramos meio que palhaços, mas estamos resistentes, lutando todos os dias dentro da aldeia, tomando chuva e sol, estamos firmes, sustentando as nossas raízes, poque isso aqui o que estou usando não é uma fantasia, isso aqui é uma roupa do meu povo, é minha cultura, a minha tradição, e quero respeito da próxima vez que entrarmos nessa casa para que a gente não sofra nem preconceito e nem racismo”, disse.

Na mesma linha de raciocínio falou a Pagé Rivia. “Era para ser uma comemoração, para a gente estar aqui regozijados, mas o que aconteceu já estamos acostumados, para mim não tem nada de diferente, a nossa luta não vai cessar, para mim os que restaram aqui nessa Casa são os que me bastam, os que permaneceram aqui nesse lugar são os que realmente se importam com o seu povo, porque dentro das veias desse povo que está aqui corre jenipapo e urucum, são os camaçarienses de verdade”, falou com indignação.

Servidor concursado da Casa Legislativa, o jornalista Marcos Helder pontuou que mesmo sem a presença de todos os vereadores, a Sessão Especial só foi possível acontecer por conta da aprovação de todos. O vereador Tagner (PT) retornou ao plenário e ressaltou que ele o presidente da Câmara Júnior Borges (UNIÃO) e o vereador Gilvan (PSDB) estavam em reunião sobre a revisão da Lei Orgânica, por isso a ausência, mas que o tema era de fundamental importância. “Apesar dos avanços da constituição federal de 88, a situação do povo indígena no Brasil é preocupante. O desmonte do atual governo Bolsonaro com a FUNAI e com todas as políticas públicas que vocês, e que nós conquistamos ao longo dessa trajetória de muita luta, é o principal problema hoje no Brasil”, mencionou o edis.

O proponente da sessão e presidente em exercício, vereador Dentinho do Sindicato (PT) parabenizou ao povo indígena pela participação, mencionando que era um momento de aprendizado e resistência. “Eu nasci em um berço da resistência, e sei que para a gente continuar lutando nesse país, nesse estado e nesse município, nós temos que estarmos juntos para resistir, por tanto o pai, um trabalhador rural, trabalhador industrial, o indígena, o negro, o pobre, temos que juntos ir contra esse governo de Bolsonaro, melhorar a vida e dar oportunidade a nosso povo. Então o povo indígena tem sim que demarcar seu espaço”.

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