Em um Papo Aberto, Papo Reto com vereador de Camaçari Dr. Samuka (CIDADANIA), o parlamentar fez um balanço do primeiro ano de mandato para o Portal Abrantes, as dificuldades enfrentadas, as suas expectativas e projetos para 2022. O edis é presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente e Turismo na Câmara Municipal.
Para Dr. Samuka o ano de 2021 foi de aprendizado na Casa Legislativa. “Não sou mais calouro, entrei com muitas expectativas, com uma visão, mas na prática a gente percebe que é diferente do que a gente pensa, do que aprendemos nos livros. Tive algumas angustias nesse primeiro ano onde aprovamos requerimentos, indicações, leis que não aconteceram ainda, dependem muito de uma vontade secundária, que é do executivo. Muitas vezes a indicação não está dentro do orçamento da prefeitura e a gente fica com vontade que aconteça, a exemplo da canalização do córrego de Abrantes, onde terá que ser feito um orçamento para ver se está dentro do orçamento do executivo para que então seja realizado e a gente quer que saia logo do papel”, destacou.
Em relação as cobranças da população, o vereador explica que muitas coisas esbarram na burocracia. “Alguns processos as pessoas não entendem. Uma coisa é você querer fazer algo particular, outra coisa é o bem público que precisa está tudo dentro das conformidades do que prevê a legislação. Hoje se eu contratar um pedreiro e ele não der certo, amanhã demito ele e contrato outro, é diferente do que acontece nas obras públicas. Um exemplo é a demora da entrega da praça e campo do Tudão, mas não por ineficiência do gestor público, mas porque existia nesse interstício situações como a readequação contratual, teve que licitar novamente e esse processo licitatório tem todo um rito que deve ser obedecido, e isso traz a morosidade da conclusão da obra. As pessoas fazem vídeo, cobram do vereador e eu não sei quantos vezes vim brigar, no bom sentido, com a secretária de infraestrutura e falar com o prefeito Elinaldo para dar atenção aquelas obras porque são importantes para Abrantes, mas o povo não entende todo esse processo legal de um contrato”.
O processo de emancipação de Vila de Abrantes também foi pautado na entrevista. O vereador falou da vontade de ser prefeito do distrito. “Aí a coisa iria acontecer, porque eu como fiscalizador, ou seja, como vereador faço apenas requerer, eu peço e alguém atende e executa, mas o povo quando vai nas ruas se manifestar é para chamara tenção do poder público, e aqui na Câmara eu sou a voz desse povo, faço a voz da população ecoar”.
Como presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente e Turismo da Câmara, o vereador pontua que pretende criar um projeto de lei para ajudar o executivo, em relação ao descarte irregular de entulho. “Existe muitas leis no país que precisam ser executadas, mas para isso acontecer o estado repressor e o município repressor precisam chegar até o agente que está cometendo uma ação ilícita e é preciso a atuação dos fiscais, mas temos um déficit de fiscais na Prefeitura de Camaçari. Uma cidade com mais de 300 mil habitantes para 30 funcionários, é um número muito pífio, é preciso aumentar o contingente de fiscais para que cubra toda Camaçari e principalmente a costa, que é um dos locais mais afetados com essa questão do entulho, assim como da especulação imobiliária com a construção em áreas de proteção ambiental, para que em um primeiro momento sejam notificados, e em um segundo momento uma punição pecuniária”.
Na oportunidade o vereador ressaltou o papel das comissões. “A função típica é analisar projetos que entrem na Câmara, que tenham uma relação ou correlação com o meio ambiente, se o projeto fere alguma legislação federal, estadual ou municipal, os impactos ambientais. Como representante desta pasta a gente tem uma certa prerrogativa fiscal de ir in loco, mas isso não necessariamente é nossa função e as pessoas confundem muito. Mas nós inovamos um pouco, saímos do aspecto regimental e que é intrínseco a comissão, e fizemos algo extra Câmara Municipal e isso talvez tenha confundido a cabeça das pessoas em relação ao papel da Comissão”, explicou.
Sobre a questão do transporte público de Camaçari, Dr. Samuka foi enfático em dizer que a licitação “vai ser deserta”, por acreditar que nenhuma empresa vai se habilitar a assumir o serviço por conta da quantidade de transporte irregular no município. “O empresário visa lucro e se não tiver lucro ele vai fazer o que? Ele não vai fazer esse investimento. Ou o prefeito se conscientiza que é preciso fazer um aporte e uma empresa privada entrar com outro, uma PPP que é a participação público privada, porque se deixar nas costas só de um, nesse momento quebra o empresário”, opinou.
Para 2022 o vereador pontua que tem muitos projetos em construção. “No tempo certo vamos dar entrada na Câmara, não vou falar até mesmo para preservar esses projetos, porque aqui na Casa alguém ouve falar e no outro dia já protocola. Já levamos várias bolas nas costas, mas como já disse, eu não sou mais calouro. Temos muitos projetos para orla, principalmente Abrantes que eu represento. Esperem um Samuka mais ousado, com mais estratégias. Dr. Samuka não é discurso, ele é prática, quem acompanha meu trabalho sabe que já me distanciei de muitos vereadores”, finaliza.




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