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Evo Morales Renuncia. Entenda a crise na Bolívia

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A América Latina ferve com as revoluções e levantes populares que tentam redesenhar as cenas políticas na Venezuela, onde Nicolas Maduro enfrentou por alguns meses uma oposição chefiada pelo deputado Juan Guaidó, apoiado pelos Estados Unidos; no Chile, onde Sebastian Piñera enfrenta uma convulsão social causada pelas consequências de uma agenda neoliberal que aumentou a pobreza e a miséria entre os trabalhadores, no Equador, onde o presidente Lénin Moreno enfrenta um levante popular após aumento do preço dos combustíveis e, finalmente, na Bolívia, onde o presidente Evo Morales renunciou no domingo (10/11/2019) após homens armados invadirem o palácio presidencial, após o resultado das eleições ser a vitória de Evo em primeiro turno pelo quarto mandato consecutivo.

Há cerca de 20 dias, a Bolívia vivia a campanha presidencial onde despontavam Evo Morales e  Carlos Mesa, na oposição. Na Bolívia o voto é em papel, com uma cédula enorme, com fotos coloridas dos candidatos. O objetivo é permitir o voto consciente dos analfabetos.

A contagem dos votos na Bolívia é feita de duas maneiras. Uma, lenta e transparente, cada voto contado um a um, na frente de todos. E outra nos Tribunais Eleitorais, mais rápida, para que o resultado seja divulgado rapidamente. A primeira parcial dava uma diferença de menos de 10% dos votos entre Evo e Carlos Mesa, levando a eleição para o segundo turno. A contagem foi interrompida sem explicação.

Após 20 horas de interrupção a recontagem volta a ser divulgada e a diferença de Morales para Mesa aumenta para mais de 10%, dando vitória em primeiro turno a Evo Morales. As tensões aumentam e opositores começam a atear fogo em sedes de Tribunais Eleitorais, impedindo uma possível recontagem.

 

Em apenas dois dias após as eleições, La Paz estava tomada de manifestantes e os confrontos começaram, mesmo com as apurações travadas em 95% do total. No final, deu 46% para Morales a 37% para Carlos Mesa. Após intensos confrontos em La Paz, Santa Cruz de La Sierra e outras cidades menores, quatro dias após as eleições, Morales foi declarado vencedor da eleição em primeiro turno, recebendo contestações dos Estados Unidos e, em seguida, do Brasil, Argentina e Colômbia.

Cinco dias após as eleições, os opositores mudam de idéia e não pedem mais recontagem e sim, anulação da eleição e surge a liderança de Luis Fernando Camacho, empresário e advogado, líder da direita em Santa Cruz de La Sierra. Os protestos ficam ainda mais violentos e duas pessoas morrem em Montero.

Quinze dias após as eleições, os opositores liderados por Camacho começam a pedir apoio dos militares e pedem a renúncia de Morales, que responde falando em Golpe pela primeira vez: “O povo estava confuso pela fraude, mas agora que pedem fora Evo, agora não é questão de fraude, mas sim de golpe de Estado”, disse Evo em uma rádio local. A questão era saber de que lado ficariam as Forças Armadas.

No dia 04 de novembro, Evo Morales sofre um acidente de helicóptero. A aeronave sofreu pane mecânica após a decolagem. O presidente não se feriu e evitou falar em atentado. No mesmo dia, Camacho convoca uma gigantesca manifestação e milhares tomam as ruas de Santa Cruz de La Sierra. Camacho toma prédios públicos, anuncia greve geral de servidores públicos, fecha fronteiras, mas não consegue o apoio das Forças Armadas. Ele diz aos seus militantes: Aguentem mais um pouco que vai valer a pena.

Camacho tentou voar para La Paz, mas apoiadores de Evo fecharam o aeroporto da capital. Camacho voltou para Santa Cruz num avião da Força Aérea Boliviana.

No dia 06, manifestantes de Camacho sequestraram a prefeita de Vinto, Estado de Cochabamba, cortaram o cabelo dela, sujaram de tinta e desfilaram com ela nas ruas. No mesmo dia, em Cochabamba, um motim leva policiais para o lado de Camacho e rapidamente os militares aderem ao levante. Policia e Exército aderem aos pedidos de renúncia e, finalmente, após 13 anos e 9 meses no poder, Evo Morales renuncia, deixando um vácuo no poder.

Ainda não se sabe quem assumirá a presidência da Bolívia, já que a sucessão presidencial não é prevista após o presidente do  Supremo Tribunal de lá também ser preso.

Com informações de Lucas Rohan,

Alan Dourado

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