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Funcionário desabafa sobre fechamento da Fafen de Camaçari

Cerca de 700 pessoas devem ficar desempregadas, além disso, os concursados devem ser remanejados para outros estados.

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No último domingo (25), conversamos com José de Souza, funcionário concursado da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-Bahia). A empresa, que pertence a Petrobrás, anunciou que irá encerrar as atividades das unidades de Camaçari (no Polo) e Aracaju.

Ele falou como ficou sabendo da notícia e fez uma série de questionamentos sobre o fechamento da unidade. Confira a entrevista:

Portal Abrantes (PA) – Como vocês souberam da notícia?

José de Souza (JS) - Já há algum tempo que a companhia tem sinalizado que iria fechar, porém achávamos que isso não ia acontecer pelo fato de vivermos em um país onde a agricultura e a pecuária estarem em bastante expansão.

PA – O que representa a Fafen hoje?

JS - A Fafen hoje tem um papel muito importante no abastecimento de fertilizantes nitrogenados, para se ter uma ideia do que eu estou falando costumamos brincar na empresa que existe mais boi do que gente no país. Isso porque a estimativa é de 240 milhões de bovinos, enquanto somamos 205 milhões de humanos.

Hoje abastecemos 30% do mercado interno e por isso sempre achávamos que o fechamento não passaria de uma promessa e que nunca iria acontecer, porém na semana passada recebemos através do portal da empresa a notícia que ela sairia da área de fertilizantes.

PA – É verdade que a Fafen mesmo sendo uma empresa da Petrobrás paga mais caro pelo gás?

JS – Verdade, a Petrobrás faz uma política de preço do gás para as Fafens que termina por encarecer o preço do produto final, ou seja, para produzir amônia e ureia a Petrobrás fornece o gás com preço mais alto. Algumas empresas já importam ureia da China alegando que o preço lá está mais barato que no Brasil, isso por conta do gás que nos é fornecido.

Ai você pergunta, não é a mesma empresa, e porque isso acontece. Ai é algo que a Petrobrás precisa explicar, porque ela não reduz ou subsidia o preço para as Fafens para que elas tenham uma redução no valor do produto final e com isso aumentaria a lucratividade?

O maior custo de produção que temos hoje é o do gás, anualmente a Fafen paga para a Petrobrás cerca de R$ 500 milhões por ano para ter essa matéria prima. Se a gente avaliar bem nesse sentido percebemos que há sim lucro por parte da empresa com a Fafen.

PA – O mercado externo teria relação com esse fechamento da Fafen?

JS – Não posso afirmar, mas o que a gente percebe é que se a Petrobrás está saindo do negócio como um todo, ela abre as portas para o mercado externo, ou seja, fecha-se postos de trabalho no Brasil e abre-se posto de trabalho fora dele. Isso é um absurdo e traz prejuízos enormes aos trabalhadores.

PA – Como foi o impacto dessa decisão para os funcionários?

JS - Isso foi um impacto enorme para nós, existe a possibilidade de vários pais de família das empresas terceirizadas perderem seus empregos, além disso, os concursados tem a proposta de mudarem para outros estados, o que muda completamente a rotina. Será que agora teremos que separar as famílias, muita gente está desanimado, desmotivado e a nossa preocupação é que as pessoas continuam trabalhando nesse clima e isso traz um grande risco de acidente de trabalho.

Tem muita gente chorando pelos cantos, pessoas antigas que sabem da dificuldade de retornarem ao mercado de trabalho. Na Fafen nós somos uma grande família e lá não temos distinção entre os efetivos e os terceirizados. Essa semana uma colega me disse que seria complicado viver longe das pessoas, das amizades do trabalho isso mostra como é o nosso ambiente. 

PA - Quantos funcionários seriam prejudicados diretamente?

JS - Diretamente na Fafen Bahia seriam por volta de 700 postos de trabalho, a Fafen Sergipe seria por volta de 500 postos. Além disso, cerca de 15 empresas fechariam suas portas, isso sem falar nas cidades que se alimentam da receita. Menos receita significa menos recurso para investir na população, olha só o impacto social disso tudo.

Comecei na companhia em 1989, o que está acontecendo hoje a alguns anos atrás seria impensável, uma unidade extremamente importante para o setor. Acredito que existe uma política de governo nefasta por trás disso e talvez as pessoas não estejam percebendo. 

PA - Qual a pergunta que vocês funcionários fazem a Petrobrás?

JS - A pergunta que fazemos a Petrobrás é: Se nós estamos em um país onde a indústria de cosméticos, a agricultura e a pecuária são promissoras, se nós fornecemos para 30% desse mercado, se nós regulamos o preço desses produtos porque nós vamos sair do negócio?

Antes se fazia investimentos, com objetivo de tomar 100% desse mercado, porque agora a empresa quer sair de um negócio tão promissor?

A sugestão que nós temos é que a empresa invista nas fábricas e claro, subsidie o preço do gás para que possamos ser mais competitivos e tenhamos condições de oferecer o produto de menor preço, porque qualidade nós já temos. 

PA - Para finalizar, qual a mensagem que você deixa para os trabalhadores?

JS - Não podemos desistir nem da Fafen nem da Petrobrás, precisamos lutar até o fim para manter a fábrica aberta. Imagine você que estamos em um país onde cerca de 30 milhões de pessoas passam fome e você tem a possibilidade de ampliar a agriculta familiar, e os fertilizantes nitrogenados podem ajudar muito na produção de alimentos, principalmente as grandes empresas da indústria de alimentos o que seria revertido para a população.

Não vamos desistir companheiros, conclamamos a todos para se unir a nós na luta contra esse fechamento.

Por: Bruno Moreno / Com informações de Moura Positivo

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