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Diagnosticado com sinusite, vítima de febre amarela morre e mulher questiona falta de informação

O técnico em refrigeração morava em Mairiporã, cidade que registrou 20% dos 40 casos de febre amarela silvestre do Estado de São Paulo

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Na véspera do último Natal, o técnico em refrigeração Anderson Lopes Oliveira dos Santos, de 31 anos, se lembrou que não tinha tomado a vacina contra a febre amarela ao passar em frente a um posto de saúde fechado. Diante da preocupação e constante insistência de sua mulher, a atendente Maria Dolores Faria Moraes, de 26 anos, ele buscou tranquilizá-la.

"Isso aí não pega, não. Se fosse tão sério assim, tava matando gente. Mas só aparece macaco morto. Só mata macaco, Maria", disse Santos, segundo as lembranças de sua mulher. A doença o matou apenas 15 dias mais tarde.

O técnico em refrigeração morava em Mairiporã, cidade que registrou 20% dos 40 casos de febre amarela silvestre do Estado de São Paulo - 21 dos infectados morreram. Tanto Maria quanto os dois filhos do casal, Beatriz, de 8 anos, e Gabriel, de 6, já estavam imunizados. Só faltava Santos - que deixara a vacina para janeiro.

A família organizou uma festa de Ano-novo em casa, mas já no primeiro dia do ano, Santos se sentiu mal. Dores de cabeça, no corpo e febre o levaram ao Hospital Municipal Nossa Senhora do Desterro, no centro de Mairiporã. Em uma consulta rápida, foi diagnosticado com sinusite.

Segundo sua mulher, Santos discordou do médico. "Meu nariz não está escorrendo e eu não estou espirrando. Acho que o médico é louco", teria dito. Voltou para casa com uma receita de antiinflamatório e descongestionante nasal.

Nos dias 2 e 3, Santos voltou ao mesmo hospital. Ele piorara: as dores estavam mais fortes e agora se concentravam nas articulações e o técnico passara a ter vômitos e incômodo para urinar. Santos também apresentava visão turva, além da sensação de ter areia nos olhos. O novo diagnóstico foi de infecção urinária.

"Bateu um desespero. A dor nos ossos dos dedos dele era tão insuportável que não podia nem encostar. Como aquilo poderia ser só infecção urinária?", contou a mulher de Santos em entrevista exclusiva à BBC Brasil. Ainda assim, Santos foi mandado para casa.

 

Por: BBC Brasil

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