A gestação gera muitas expectativas e quando, por algum motivo, a mulher sofre aborto, mesmo que em fase inicial, isso gera muito sofrimento e angústia. Mas, passado o processo de luto, a vontade de ser mãe prevalece. Todavia, quais são os cuidados que a mulher deve tomar depois do trauma?
Segundo o ginecologista e obstetra Dr. Alberto Guimarães, defensor dos conceitos de Parto Humanizado e presidente do Instituto Michel Odent, normalmente, a recuperação física da mulher demora apenas alguns dias. Assim que a menstruação volta ao normal, aproximadamente de quatro a seis semanas, ela está apta para tentar novamente.
Cuidados antes da próxima gestação
Se o aborto aconteceu na fase inicial, até 12 semanas, na maioria esmagadora, ele ocorre por alteração no embrião e a mulher não precisa passar por nenhum tratamento médico para começar a tentar uma nova gravidez.
“Se o aborto foi tardio, que é quando ocorre a partir da 20ª semana, é importante saber os motivos que fizeram ela perder o bebê. Em geral, tem a ver com o colo do útero e o médico deve investigar se ela tem o colo firme ou aberto. Se for aberto é indicado que, quando engravidar, o médico trabalhe com a possibilidade de dar um ponto no colo do útero para segurar este bebê, porque se isso não acontecer, ela pode sofrer outro aborto e cada vez mais precocemente”, relata Guimarães.
Quando engravidar novamente?
Se o aborto foi precoce e a mulher passou por uma curetagem ou se o próprio organismo eliminou por completo o saco gestacional e os restos ovulares, ela não precisa esperar muito tempo para engravidar, isso porque não houve crescimento uterino. Neste caso, após a menstruação, se no mês seguinte ela quiser engravidar, pode começar a ingerir ácido fólico, com recomendação médica, e tentar novamente.
Já a mulher que sofreu aborto tardio, após a eliminação do embrião, é interessante que ela passe por uma avaliação médica antes de tentar uma nova gravidez. Convém esperar mais ou menos dois meses para que o útero volte ao seu tamanho normal.
Dr. Alberto Guimarães, ginecologista e obstetra
Defensor dos conceitos de parto humanizado e presidente do Instituto Michel Odent, o médico encabeça a criação do Programa Parto Sem Medo, um novo modelo de assistência à parturiente onde enfatiza que o parto é um evento de máxima feminilidade e a mulher e o bebê devem ser os protagonistas. Formado pela Faculdade de Medicina de Teresópolis e mestre pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), atualmente exerce o cargo de gerente médico para humanização do parto e nascimento do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, CEJAM, em maternidades municipais de São Paulo para o Programa Parto Seguro à Mãe Paulistana.
Luzia Teles



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