A atriz baiana Kátia Letícia representará o Brasil no Tearti 

 

Cabo Verde receberá a atriz brasileira Kátia Letícia, que embarcará neste domingo (17.10), para a África, onde participará de um dos mais importantes eventos de teatro do continente africano: o Festival de Teatro do Atlântico – Tearti 2021, que chega à sua 5ª edição, no próximo dia 20 de outubro, às 19h30, no Auditório Nacional, na cidade da Praia, na Ilha de Santiago. 

A também diretora teatral e dramaturga, Kátia Letícia, acabou de chegar de São Paulo, onde marcou presença no Encontro Nacional dos Coordenadores do Teatro da Solidão Solidária (TSS). Ela aterrissará neste início de semana, na África, com duas missões especiais na bagagem: a primeira é encenar o espetáculo “Fio de Contas”, e a segunda é articular artistas e grupos para participarem de um importante festival de cultura de paz. 

No segundo semestre de 2022, o TSS promoverá no Brasil, em especial, nas cidades de São Paulo, Fortaleza e Camaçari, o Festival Mundial de Cultura de Paz. O Teatro da Solidão Solidária já está inserido em aproximadamente vinte países entre Europa, América Latina e Estados Unidos. 

Na África, o TSS já tem como coordenador, o escritor, doutor e pós-doutor em sociologia, Bas´llele Malomalo da República Democrática do Congo. O intelectual contará ainda, nesta coordenação, com o reforço de Kátia Letícia. Integram a vice coordenadoria, os artistas plásticos Zig Zag do Senegal e Misa Kouassi, que é, também, poetisa cabo-verdiana. 

Na opinião de Ivan Antônio, criador e diretor do Teatro da Solidão Solidária, o protagonismo de Bas´llele e de Letícia é de fundamental importância na integração de artistas brasileiros e africanos no TSS, como também, em eventos realizados nos dois países. O dramaturgo ainda pontua: “A Bahia é uma África e Salvador é a nossa Roma negra, a cidade mais preta do planeta fora da África”. 

O idealizador do Teatro da Solidão Solidária acredita que a coordenação do TSS na África servirá como farol para que artistas, alunos e educadores que integram a Rede Internacional de Arte e Cultura Solidão Solidária (RIACSS), passem a ter um olhar mais justo com o continente que tanto emponderou a humanidade de conhecimentos em todas as áreas do pensamento humano. “Não é por acaso que a primeira Universidade do mundo foi criada na África”, lembra o poeta e cineasta Ivan Antônio.    

Quem é Kátia Letícia? 

Mestra em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Kátia Letícia é atriz, apresentadora, diretora, dramaturga, produtora e gestora de projetos culturais. Sua formação artística iniciou-se na cidade do Saber, em Camaçari, no ano de 2007, passando pela Escola de Teatro da UFBA e, no 26º Curso Livre de Teatro em 2011, como também, pela Michael Chekhov Brasil, no Rio de Janeiro em 2015. 

Kátia já atuou em espetáculos teatrais a exemplo de “O Assassinato do Anão” (2007), “O Auto da Barca do Inferno” (2008), “Um Sanatório para Freud” (2009), “Amanhã às Oito” (2011), “Rádio Veríssimo, Uma Sintonia de Amor” (2015) e “Avental Todo Sujo de Ovo” (2018). Foi também diretora artística do show “A Volta do Boêmio” no ano de 2012, de autoria de Edney Porten. 
  
A artista participou ainda, da série “Questão de Língua” em 2011 e do programa Intervalo no ano de 2017, ambos da TV Anísio Teixeira, dos episódios “Heranças do Além Mar” e “O Que Tem Para Comer?” em 2013”, como também, das performances “Geladeira 55” (2017), “Coletivo Casa das Seis”, na 10ª Bienal da UNE realizada em Fortaleza (CE), “Corpo Mandala” (2017), criação de Silas Menezes e “Batucada” em 2015, de Marcelo Evelin. 
 
Kátia Letícia é cofundadora da Companhia Uma da Outra de Teatro e cocriadora dos espetáculos “Cowboy Fora da Lei” (2011), coordenado e dirigido pelo diretor Fernando Guerreiro e, também, autora, diretora e atriz de “Elenco de Apoio” em 2012. Trata-se de uma peça que lhe rendeu prêmios de melhor atriz, espetáculo e direção em festivais. Kátia Letícia é autora e atriz do infantil “Aonde Vai Dar Esse Trem?”, além de dramaturgista e atriz do espetáculo de palhaçaria chamado de “Enrolonas” e da performance “Rebanho” em 2015, no IC – Encontro Internacional de Artes. 
 
A atriz participou de “Entre Saltos” em 2014, do ‘Coletivo PI em São Paulo, tendo protagonizando ainda, os curta metragens “Janna” (2013) e “Lilith” (2014), além de ter atuado em “Lasquinê” (2018). Ela escreveu e dirigiu o espetáculo “Musical Inusitado – Do Arrocha ao Erudito” em 2016 e foi apresentadora, diretora artística e roteirista do Sarau Literomusical da Secretaria Estadual da Educação, na Festa Literária Internacional de Cachoeira conhecida como Flica, no período de 2015 a 2019.

A dramaturga já assinou a direção e atuou nas obras cênicas “Um Paraíso para Eva” em 2018 e “Almas Nuas em Carnes Duras” (2021). Desde 2018, Kátia vem se dedicando ao projeto literário chamado de “Narrativas Subterrâneas”, que propõe oficinas de escrita autobiográfica para mulheres negras de periferias e quilombolas, no Brasil e, no continente africano. 

O Fio de Contas 

Inspirado no Orixá Oxum, Fio de Contas é um espetáculo, um ritual, uma celebração poética e performática que apresenta fragmentos biográficos de mulheres negras que vivem em comunidades periféricas e quilombolas da Bahia. 

Pelo arquétipo de Oxum, a obra se utiliza de elementos sensoriais para convidar o público a comungar de uma atmosfera sagrada como as histórias que se anunciam em um espaço cênico composto por elementos essenciais da ritualística Yorubá. 

Assim, o espetáculo se propõe a estabelecer o fio de ligação destas histórias com a ancestralidade africana e espiritualidade compartilhada comunitariamente e integrada à natureza e seus mistérios. A concepção, criação e atuação é de Kátia Letícia. 

O Tearti
 
Festival de Teatro do Atlântico, o TEARTI chega à sua 5ª edição, de 19 a 26 de outubro de 2021, na cidade da Praia, na Ilha de Santiago em Cabo Verde, na África. Promovido pela Companhia de Teatro Fladu Fla, o TEARTI reúne grupos e companhias de países africanos e afrodiaspóricos de língua portuguesa, a fim de incitar a promoção da cultura e identidade dos países do Atlântico, nos palcos de Cabo Verde.

   

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