Historiador e pesquisador de Camaçari lança livro contando a história do município baseada em 20 anos de pesquisas

 

“Do Joanes ao Jacuípe – Uma história de muitas querelas, tensões e disputas locais”. Esse é o nome do livro do historiador, Diego Copque, 46 anos, morador de Camaçari. A obra faz parte de um trabalho de pesquisa de 20 anos, que foi lançado no último dia 4 de maio, com apoio da Secretaria da Cultura (Secult) do município, que conduziu o edital 002/2020, da Lei Aldir Blanc.

O Portal Abrantes conversou com o pesquisador, que contou sobre a forma despretensiosa que iniciou o trabalho. “Há 20 anos eu não pensava em ser historiador, apenas gostava de história. Mas eu trabalhava no Polo Petroquímico e fui vítima de racismo, e naquele momento já era compositor letrista, participava de festivais de música, e havia saído recente da aeronáutica, e aquela ação, aquela brutalidade de racismo me incomodou muito. Por ter o sobrenome diferente e por ser negro, eu acreditava que meu sobrenome era de origem Africana. Então para dar um troco na perspectiva de valorização de um nome, eu iniciei uma pesquisa genealógica, onde descobri que o meu sobrenome era de origem Alemã, Africana e de Índios Tupinambás pelo lado paterno. E nesta pesquisa eu comecei a encontrar documentos relacionados a Vila de Abrantes, e alguns deles remetia ao processo de cultivo de algodão no século XIX. Uma das fontes também me trouxe informações sobre um ancestral meu, Nicolau José Copque, proprietário da segunda prensa de algodão da Bahia, a partir daí, as histórias do município e a minha começaram a se encontrar, a convergir”, explicou.

O encontro de histórias e de documentos sobre os Rios Joanes e Jacuípe, fez Diego mergulhar ainda mais fundo, abrangendo a pesquisa sobre sua ancestralidade para a história do município, até então sem um propósito acadêmico. “Comecei a me apaixonar, até encontrar um jornal A Tarde com a manchete ‘Camaçari começa a receber sua primeira leva de imigrantes’, me despertando a curiosidade, isso em 1977 por conta do Polo. Mas como era Camaçari antes do advento do Polo? E comecei a buscar fontes mais distantes”, pontuou.

Diego conta que descobriu que a fundação de Camaçari foi no século XVI, data diferente da comemorada atualmente. “Isso precisa ser revisto, nós comemoramos a data de maneira equivocada, porque ela nasce contemporânea a cidade de Salvador, que tem 471 anos. Camaçari vai fazer 463 anos, ela não tem 200 anos a menos que a capital”, afirmou.

Uma outra questão que o historiador destaca, é a importância de Camaçari no processo de independência da Bahia. “A participação foi ativa, e em todo processo histórico da própria história do Brasil. Porque se nossa história começa no século XVI, dentro do processo de colonização, então estamos inseridos em todo contexto da história do país e desde sempre Camaçari protagonizou o processo econômico e social da Bahia. No final do século XIV e inicio do século XVII, nós tivemos a instalação do pedágio no Rio Joanes, isso gerava riquezas, querelas, discursões, muitos embates na época”, relatou.  

Copque exalta que Camaçari sempre foi protagonista da própria história e que o papel do livro é justamente chamar a atenção da sociedade para esse olhar. “Nós temos uma vocação turística, artística, de empreendedorismo, o que precisamos é de líderes compromissados, comprometidos com o seu povo e sua terra. Estamos trazendo humildemente com esse livro, uma nova perspectiva, um chamamento para um despertar sobre a nossa história e nossas potencialidades. Independente de questão partidária, ideológica, acima de qualquer coisa somos Camaçari. E ser camaçariense está acima de qualquer discursão ou querelas”.

Quem quiser ter um exemplar do livro e conhecer um pouco da história de Camaçari a partir da pesquisa do historiador Diego Copque, bacharel e licenciado em História, é só entrar em contato pelo número (71) 99396-5422. A obra custa R$ 60 reais.

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