Centro de Treinamento do grupo Engenho retoma as atividades em Abrantes

 

A Associação de Capoeira Engenho retornou com as atividades em seu Centro de Treinamento (CT), localizado em Vila de Abrantes, costa de Camaçari, após as aulas e eventos serem suspensos em decorrência da pandemia da Covid-19. Em entrevista ao Portal, o Mestre Grandão falou das dificuldades enfrentadas pelo grupo.

De acordo com o Mestre, o impacto negativo da doença foi geral. “Não só no nosso grupo, como na cultura, nos artistas, em todos os lutadores e atletas. Mas graças a Deus o Engenho já tem uma certa estrutura, uma história. O grupo nasceu em 1970 no Rio de Janeiro, na Bahia já tem 23 anos, temos vários graduados que formaram núcleos em outros lugares e por isso conseguimos voltar, mesmo com toda dificuldade”, ressaltou.

Mestre Grandão torce para que não venha uma terceira onda da doença, para que o grupo possa retornar todas as atividades, eventos e trabalhos sociais realizados no município, e para isso, conta com o compromisso dos alunos.  “Eu tenho falado em todas as aulas dos cuidados necessários, não dar para frequentar uma aula dessa onde estamos em grupo, e ao mesmo tempo está frequentando paredão, festas, colocando a nossa vida em risco. Os alunos se comprometeram a tomar os cuidados necessários, não só dentro da aula, como fora também, para evitar trazer a contaminação aqui pra dentro e levar também para seus familiares”.

Os números de contagiados e óbitos em Abrantes, localidade que lidera negativamente o boletim epidemiológico em Camaçari, preocupa o Mestre. “Acho até que demos sorte em nossa Praça da Matriz e o campo entrarem em reforma nesse momento, acho que foi uma estratégia acertada do nosso prefeito, está de parabéns. Tenho certeza que isso ajudou a não multiplicar mais o vírus, mas ainda sim preocupa, acho que tudo é muito imaturo ainda para discutir, muito cedo. Nesse momento devemos evitar aglomeração, usar máscara, enfim, tomar os cuidados necessários”.

Sobre a situação financeira dos grupos culturais da cidade, Grandão explicou como o Engenho sobreviveu a pandemia. “Tivemos um auxilio emergencial por três meses, a Lei Aldir Blanc, mas todos os contratos com hotéis foram cancelados, as viagens e eventos que nós fazíamos foram canceladas, e tenho certeza que quem não tinha o mínimo de estrutura, como muitos artistas e grupos de capoeira, não vão conseguir se reerguer, porque o impacto foi muito doloroso. Por isso, precisamos de mais apoio, foi muito pouca a ajuda. A cultura foi o primeiro setor a parar as atividades e será o último a voltar. Esse mês por exemplo, eu não consegui cobrar nada de nenhum aluno, porque está todo mundo passando dificuldade, inclusive estamos ajudando pessoas. Precisamos do apoio do poder público e das autoridades competentes. A gente precisa não só do recurso, mas de uma alternativa para continuar promovendo a cultura no município, ela não pode morrer”, exaltou.

O grupo Engenho realizava já há alguns anos, um dos maiores eventos do esporte no mundo, o Camaçari Open de Capoeira, mas desde 2018 o encontro não acontece. “Era o carro chefe do nosso trabalho, onde conseguíamos reunir todos os núcleos, trazíamos grandes nomes da capoeira mundial pra cá e era o momento que a gente conseguia promover o nome da cidade com mais expressão. São dois anos também sem a Copa Camaçari, sem o Ginga Abrantes e sem as turnês pela Europa, dando continuidade ao Open que começa aqui e depois levamos para Viena na Áustria, Milão na Itália e o Rio Open no Rio de Janeiro”, relatou.    

Para finalizar a entrevista, o Mestre Grandão deixou uma mensagem para o poder público municipal. “Quem está promovendo cultura e esporte nesse momento, não está promovendo aglomeração, pelo contrário está promovendo saúde, pois nós temos um grupo com milhares de jovens e ninguém teve uma sequela grave da doença. Queria que nosso políticos, nossos vereadores e principalmente nosso prefeito, dessem uma olhada com mais carinho pra gente, porque o trabalho que fazemos de saúde durante esse tempo todo foi um diferencial nessa pandemia e vocês vão precisar da gente lá na frente, com os desfiles, todo um trabalho social que fazemos, parcerias com as escolas e não é justo que a gente nesse momento fique abandonado, sabendo que a nossa contribuição para a cidade é muito grande e expressiva”, finalizou.

   

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